Decisão do Brasil é contraria a dos Estados Unidos sobre Jerusalém

Decisão do Brasil é contraria a dos Estados Unidos  sobre Jerusalém
dezembro 07 22:32 2017

Um dia depois de o governo americano reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e ir contra as orientações da comunidade internacional, anunciando a mudança da embaixada dos Estados Unidos para a cidade, o Itamaraty divulgou uma nota, nesta quinta-feira, indo na direção contrária do presidente Donald Trump.

O governo brasileiro diz que o entendimento sobre o “status final” da cidade de Jerusalém, que está no centro das negociações de paz entre Israel e palestinos, deve ser definido de forma a assegurar que ambos vivam “em paz e segurança” na lógica das fronteiras reconhecidas pela comunidade internacional. O Itamaraty lembra ainda que o Brasil reconheceu o Estado da Palestina em 2010 e que mantém relações diplomáticas com Israel desde 1949.

“O governo brasileiro reitera seu entendimento de que o status final da cidade de Jerusalém deverá ser definido em negociações que assegurem o estabelecimento de dois estados vivendo em paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas e com livre acesso aos lugares santos das três religiões monoteístas, nos termos das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, como a resolução 478 de 1980, entre outras. Recorda, ainda, que as fronteiras entre os dois estados deverão ser definidas em negociações diretas entre as partes tendo por base a linha de junho de 1967.O Brasil mantém relações diplomáticas com Israel desde 1949 e reconheceu o Estado da Palestina em 2010”, diz a nota divulgada pelo governo.

Antes o anúncio, Trump foi alvo de forte pressão para que não tomasse tal passo, que pode causar instabilidade nas negociações de paz entre Israel e palestinos e que foi criticado por líderes de vários países e organizações. O reconhecimento de Jerusalém enfureceu os líderes da Autoridade Palestina, entidade reconhecida internacionalmente. Já o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu saudou o “dia histórico”.

Analistas e observadores temem que a decisão de Trump abra um novo conflito pelo status dessa cidade, onde há lugares santos judeus, cristãos e muçulmanos. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, expressou temores de um retorno aos tempos sombrios, enquanto a Rússia disse estar muito preocupada. Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou que a decisão colocará a região “em um círculo de fogo” e afirmou que quer mobilizar o mundo muçulmano. Até a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, criticou o ato, qualificando-o de “irresponsável”.

DIA DE TENSÕES

Israel vive um dia de tensões crescentes com manifestações na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada, nos quais os palestinos protestaram contra o anúncio do presidente americano, Donald Trump, que reconheceu Jerusalém como capital de Israel. Protestando contra a decisão unilateral e potencialmente explosiva de Trump, palestinos enfurecidos entraram em confronto com soldados israelenses e queimaram o retrato do presidente americano e bandeiras dos EUA. Mais de 104 pessoas ficaram feridas em confrontos registrados em toda a Cisjordânia e na Faixa de Gaza, segundo o Crescente Vermelho.

Diante da reação inflamada do mundo árabe, com protestos na Faixa de Gaza e na Turquia, o Exército israelense anunciou o envio de batalhões adicionais ao território palestino da Cisjordânia, e indicou que outros setores das forças de segurança estão prontas para intervir como “parte da preparação das IDF (Forças de Defesa de Israel) para possíveis desdobramentos”. O Exército também atacou nesta quinta-feira duas posições na Faixa de Gaza em resposta a dois foguetes lançados mais cedo que caíram dentro do enclave palestino. Sirenes soaram em Israel em vários locais ao redor do norte da Faixa de Gaza anunciando a chegada dos projéteis.

CONVOCAÇÃO À NOVA INTIFADA

O grupo islâmico palestino Hamas convocou nesta quinta-feira um novo levante contra Israel. O líder do Hamas, Ismail Haniyeh classificou a polêmica decisão do chefe de Estado americano como uma “declaração de guerra contra os palestinos”, segundo a “Al-Jazeera”. Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que vários outros países seguirão a decisão da Casa Branca, sem especificar quais.

— Devemos pedir e devemos trabalhar no lançamento de uma intifada diante do inimigo sionista. Só podemos enfrentar a política sionista apoiada pelos Estados Unidos com uma nova intifada — disse Haniyeh, num discurso em Gaza, frisando que Trump “matou” o processo de paz entre israelenses e palestinos. — Deixem 8 de dezembro ser o primeiro dia da intifada contra o ocupante — destacou.

Haniyeh, eleito líder geral do grupo em maio, pediu que palestinos, muçulmanos e árabes se manifestem contra a decisão dos Estados Unidos na sexta-feira, a que chamou de “dia da raiva”. Ele pediu à Autoridade Nacional Palestina (ANP) que tenha “coragem suficiente para abandonar os acordos de Oslo e as condições arbitrárias para os palestinos nesses acordos”, em referência à tentativa de mediação de paz entre Israel e Palestina na década de 1990, que resultaram na criação da ANP.

— E diante desses desafios, repito que nossa posição é que não haverá reconhecimento ou legitimização da ocupação do território da Palestina.

Israel considera que toda Jerusalém, tanto o leste como o oeste, é sua capital “eterna e indivisível”. Entrentanto, os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel em 1967, como a capital do Estado que aspiram. O reconhecimento da cidade como capital de Israel, considerada chave no processo de paz, é tratada como uma questão delicada pela comunidade internacionacional. Numa decisão que pode ter consequências imprevisíveis, Trump ordenou o futuro traslado da embaixada americana, que agora está em Tel Aviv, para Jerusalém, reconhecendo-a como capital de Israel, rompendo com a política de seus antecessores, apesar dos alertas da comunidade internacional.

Fonte: oglobo

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