João Gomes: Avivamento ou interesses imediatistas?

João Gomes: Avivamento ou interesses imediatistas?
fevereiro 11 12:30 2015

“Enquanto Esdras estava orando e confessando, chorando prostrado diante do templo de Deus, uma grande multidão de israelitas, homens, mulheres e crianças, reuniram-se em volta dele. Eles também choravam amargamente”. (Esdras 10: 1).

Analisando o texto bíblico em referência, encontramos o sacerdote Esdras em oração a Deus buscando o perdão dos pecados dele e de toda nação de Israel. Essa oração ocorreu após o retorno de Israel do cativeiro babilônico, que teve duração de 70 anos, em cujo período o povo judeu ficou fora da sua pátria e sem lugar específico de adoração.

Decorridos os setenta anos, Israel teve autorização para voltar à sua pátria, reconstruir os muros de Jerusalém e também o templo onde voltaria a praticar sua liturgia religiosa, orientada na Torah (lei de Moisés). Depois de concluída a reconstrução dos muros e do templo, o sacerdote Esdras toma a decisão de orar. Lança-se diante do altar e, em profundo lamento e choro, faz confissões buscando em Deus o perdão dos seus pecados e de todo Israel.

Ao presenciar tal comportamento de humilhação, as pessoas começaram se juntar ao seu líder espiritual e, em profundo sentimento, lamentaram e choraram os seus pecados, e ali, fizeram juramentos de mudar de conduta, promovendo assim, um grande avivamento espiritual.

O conceito bíblico para avivamento espiritual é bastante claro. Fica evidenciado que em todos os avivamentos já ocorridos estão presentes de forma inconfundíveis certas atitudes como: o arrependimento, o choro profundo, as confissões de culpas e o compromisso de mudanças de atitudes. “O que encobre suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”. (provérbios 28: 13).

Entretanto, o tempo passou e, com ele, as mudanças conceituais desse e de outros assuntos da religião. Particularmente, no segmento religioso evangélico, a igreja vive o avivamento gospel. Tudo gospel!

Esse novo conceito trocou a oração por gritos estéreis em piruetas que chamam de unção. O choro foi trocado por danças sacudidas pelos ritmos das grandes baladas, e o arrependimento foi suplantado pela aceitação disfarçada do pecado, onde o que importa é ser feliz, outro conceito bastante equivocado.

Todavia, esses adoradores dão mais dinheiro onde supostamente “têm mais milagres”, mais profecias e mais revelações. Em suma: só se for de coisas boas. Se algum profeta ousar repreender alguém por algum pecado, torna-se desafeto imediato do transgressor e do sistema que não pode perder ofertantes, especialmente se forem ricos.

A busca excessiva do dinheiro transformou o neopentecostalismo em um grande negócio. Os ditos fiéis buscam trilhar o caminho espaçoso e da porta larga, iludidos pelos profetas de Baal.

De forma ousada mentem em nome de Deus, prometendo a seus seguidores coisas materiais e imediatistas, afagando assim, o ego de uma multidão de cristãos que trocaram o Evangelho da Cruz, pelo evangelho da prosperidade material.

Por: João Gomes da Silva

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