{"id":1081,"date":"2018-08-23T09:26:13","date_gmt":"2018-08-23T12:26:13","guid":{"rendered":"http:\/\/dgospel.com.br\/portal\/?p=1081"},"modified":"2018-08-23T09:26:13","modified_gmt":"2018-08-23T12:26:13","slug":"quase-dez-mil-mulheres-foram-vitimas-de-feminicidio-ou-tentativas-de-homicidio-por-motivos-de-genero-nos-ultimos-9-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dgospel.com.br\/portal\/index.php\/2018\/08\/23\/quase-dez-mil-mulheres-foram-vitimas-de-feminicidio-ou-tentativas-de-homicidio-por-motivos-de-genero-nos-ultimos-9-anos\/","title":{"rendered":"Quase dez mil mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio ou tentativas de homic\u00eddio por motivos de g\u00eanero nos \u00faltimos 9 anos"},"content":{"rendered":"<p>Quase dez mil mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio ou tentativas de homic\u00eddio por motivos de g\u00eanero nos \u00faltimos 9 anos, segundo levantamento da\u00a0<em>Central de Atendimento \u00e0 Mulher<\/em>, o\u00a0<strong>Ligue 180<\/strong>. Desde 2009, a central registrou den\u00fancias de morte de pelo menos 3,1 mil mulheres e outras 6,4 mil foram alvo de tentativa de assassinato.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, o pico de registros ocorreu em 2015, ano em que o feminic\u00eddio foi inclu\u00eddo no C\u00f3digo Penal brasileiro como qualificador de homic\u00eddio e no rol de crimes hediondos. Naquele ano, a central recebeu 956 registros de assassinatos de mulheres, contra 69 mortes apontadas no ano anterior.<\/p>\n<p>O n\u00famero de den\u00fancias, entretanto, est\u00e1 muito aqu\u00e9m das ocorr\u00eancias de feminic\u00eddio. Segundo o\u00a0<em>SIM (Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade)<\/em>, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, s\u00f3 em 2016, cerca de 4.635 mulheres foram mortas por agress\u00f5es, uma m\u00e9dia de 12,6 mortes por dia.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria nacional de Mulheres, Andreza Colatto, explica que ainda h\u00e1 subnotifica\u00e7\u00e3o de den\u00fancias e alerta que muitos casos de assassinato de mulheres poderiam ser evitados. \u201cQuando n\u00f3s interrompemos um ciclo de viol\u00eancia contra uma mulher por meio de uma den\u00fancia simples salvamos muitas vidas\u201d, destaca Andressa.<\/p>\n<p>Ela lembra que o<strong>\u00a0Ligue 180<\/strong>\u00a0pode ser acionado em todo territ\u00f3rio nacional e em mais 16 pa\u00edses. \u201cA den\u00fancia pode ser feita anonimamente. Ningu\u00e9m se compromete ao denunciar, apenas apoia e auxilia mulheres que ficam desprovidas de coragem para fazer essas den\u00fancias. \u00c9 necess\u00e1rio que a sociedade se empenhe na ajuda contra esse problema t\u00e3o grave que, todos os dias, tem registrado aumento de casos no Brasil\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Ponta do iceberg<\/strong><\/p>\n<p>O assassinato de mulheres devido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 a express\u00e3o mais grave dos v\u00e1rios tipos de viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Segundo a Central, desde 2009 foram relatados quase 737 mil casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u2013 mais de 80% do total de den\u00fancias recebidas no canal. Das agress\u00f5es denunciadas em ambiente familiar nos \u00faltimos anos, quase 60% s\u00e3o f\u00edsicas e cerca de 30% psicol\u00f3gicas, tipos de viol\u00eancia que geralmente precedem o crime do feminic\u00eddio.<\/p>\n<p>De acordo com a chefe do\u00a0<em>Ceam (Centro Especializado de Atendimento \u00e0 Mulher)<\/em>\u00a0do Distrito Federal, Graciele Reis, a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 o crime mais identificado nos relatos de mulheres.<\/p>\n<p>\u201cViol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 o carro-chefe. Normalmente, quando a mulher busca ajuda j\u00e1 chegou na viol\u00eancia f\u00edsica. Para que ela entenda que est\u00e1 passando por uma viol\u00eancia psicol\u00f3gica, realmente ela est\u00e1 no \u00e1pice da humilha\u00e7\u00e3o, do isolamento\u201d, alerta a assistente social.<\/p>\n<p>Segundo a OMS, um ter\u00e7o das mulheres do mundo j\u00e1 sofreram alguma vez na vida viol\u00eancia f\u00edsica e\/ou sexual. A organiza\u00e7\u00e3o estima que mulheres expostas a viol\u00eancia dom\u00e9stica t\u00eam duas vezes mais chance de desenvolver depress\u00e3o e uso abusivo de \u00e1lcool.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia psicol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p>Graciele destaca que a melhor forma de prevenir o feminic\u00eddio \u00e9 identificar os casos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Mas, em geral, as mulheres n\u00e3o conseguem compreender que vivem uma situa\u00e7\u00e3o de abuso e s\u00e3o submetidas, por muitos anos, aos excessos de maridos e companheiros. \u201cO [abuso] psicol\u00f3gico precisa estar quase na viol\u00eancia f\u00edsica para ela compreender que est\u00e1 numa rela\u00e7\u00e3o violenta, ela tem que estar sofrendo muito j\u00e1\u201d, explica.<\/p>\n<p>Casos de viol\u00eancia sexual e patrimonial dentro do casamento tamb\u00e9m s\u00e3o menosprezados, segundo a assistente social. \u201cFica naquela cultura, &#8216;eu trabalho, mas ele administra meu dinheiro porque sabe usar melhor&#8217; e isso tudo vai podando a mulher de ter a liberdade, de ter autonomia, de fazer o que ela quiser com o dinheiro do pr\u00f3prio trabalho\u201d, analisa.<\/p>\n<p>\u201cTodo mundo entende viol\u00eancia sexual como aquele estupro que puxa, rasga roupa. Mas aquela fala do homem &#8216;voc\u00ea \u00e9 fria, voc\u00ea n\u00e3o quer nunca&#8217;, &#8216;voc\u00ea \u00e9 minha esposa e tem que cumprir tamb\u00e9m esse papel&#8217;; ele fica mal-humorado, ela cede para ele n\u00e3o ficar grosseiro, as mulheres n\u00e3o compreendem isso como viol\u00eancia sexual\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Para a vice-presidente do\u00a0<em>Instituto Maria da Penha (IMP),<\/em>\u00a0Regina C\u00e9lia Almeida Silva Barbosa, \u00e9 importante ficar atento a agress\u00f5es verbais e importuna\u00e7\u00f5es que, muitas vezes, s\u00e3o vistas com naturalidade.<\/p>\n<p>\u201cFeminic\u00eddio n\u00e3o come\u00e7a com feminic\u00eddio. Ele come\u00e7a nas sutilezas daquilo que muitas vezes o autor da viol\u00eancia entende como uma permiss\u00e3o [da mulher]\u201d, afirma Regina C\u00e9lia.<\/p>\n<p>O Ceam atende mulheres de diferentes perfis sociais \u2013 desde pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua at\u00e9 mulheres ricas. Em comum, elas t\u00eam o medo de retalia\u00e7\u00e3o do companheiro e de serem julgadas pela sociedade, a falta de informa\u00e7\u00e3o sobre os tipos de viol\u00eancia e as dificuldades de expor o problema, principalmente na esfera policial e criminal.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 atendemos mulheres que passaram por viol\u00eancias f\u00edsicas graves, dente arrebentado, facada, tiro, paulada. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil se deslocar de casa [para denunciar], n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil criar coragem, mas h\u00e1 v\u00e1rios casos de supera\u00e7\u00e3o\u201d, disse Graciele.<\/p>\n<p><strong>Acolhimento e preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>M\u00e1rcia*, 44 anos, \u00e9 um das mulheres atendidas pelo Ceam que tem superado o medo e o trauma da viol\u00eancia dom\u00e9stica. Durante os anos de casada, ela foi impedida de estudar e trabalhar por ci\u00fames desmedidos do marido. O desejo de encerrar o relacionamento de oito anos tornou o companheiro mais agressivo. Ele se recusou a deixar a casa e passou a humilhar e maltratar a mulher.<\/p>\n<p>\u201cEu estava triste, porque n\u00e3o estava mais dando certo e eu vi que j\u00e1 estava come\u00e7ando a ficar doente, n\u00e3o estava mais aguentando. Eu estava t\u00e3o abalada que n\u00e3o sabia o que fazer, a gente fica sem ch\u00e3o, sem rumo, sem for\u00e7as\u201d, relata.<\/p>\n<p>M\u00e1rcia passou a perceber que ele estava a ponto de agredi-la. Prevendo o pior, ela decidiu buscar ajuda. \u201cLiguei no 180, conversei, desabafei um pouco, porque eu estava vendo que eu tinha que me movimentar, porque se eu n\u00e3o me mexesse, eu j\u00e1 estava enxergando o que ia acontecer\u201d, completou.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m recorreu ao Ceam onde recebeu atendimento psicol\u00f3gico e assist\u00eancia social. \u201cElas perceberam que eu estava precisando e come\u00e7aram a me atender. Ali \u00e9 um meio de ajudar as mulheres que passam por problemas de viol\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsica, mas psicol\u00f3gica. Realmente fortalece, porque quando a gente se sente esmagada, triturada por algu\u00e9m \u00e9 como se n\u00e3o tivesse ningu\u00e9m para te acolher, te amparar\u201d, conta.<\/p>\n<p>Quando M\u00e1rcia buscou apoio, o ex-companheiro saiu de casa, intimidado pela iniciativa da mulher de denunciar a situa\u00e7\u00e3o. Hoje, ela cursa faculdade e j\u00e1 est\u00e1 aconselhando amigas da vizinhan\u00e7a que passam por situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia a buscarem ajuda.<\/p>\n<p>\u201cSe todas as mulheres que passam por isso pudessem evitar a partir desse momento da agress\u00e3o psicol\u00f3gica, antes de chegar \u00e0 agress\u00e3o f\u00edsica, eu acho que j\u00e1 seria um grande fato para evitar esse n\u00famero de mortes\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Dificuldade<\/p>\n<p>Na experi\u00eancia di\u00e1ria de atendimento \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, a chefe do Ceam do Distrito Federal diz que h\u00e1 uma dificuldade dos policiais e dos operadores da Justi\u00e7a de enquadrar o abuso psicol\u00f3gico \u2013 como o caso de M\u00e1rcia \u2013 se n\u00e3o estiver acompanhado de uma evid\u00eancia como xingamento ou les\u00e3o corporal.<\/p>\n<p>\u201cPrecisa trazer a viol\u00eancia psicol\u00f3gica \u00e0 luz, porque isso tem destru\u00eddo as mulheres que acabam desenvolvendo transtornos mentais ser\u00edssimos. E, infelizmente, o Estado ainda n\u00e3o est\u00e1 preparado para ouvir essas v\u00edtimas de forma qualificada\u201d, critica Graciele.<\/p>\n<p><em>*Nome fict\u00edcio para preservar a identidade da v\u00edtima.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase dez mil mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio ou tentativas de homic\u00eddio por motivos de g\u00eanero nos \u00faltimos 9 anos, segundo levantamento da\u00a0Central de Atendimento \u00e0 Mulher, o\u00a0Ligue 180. Desde 2009, a central registrou den\u00fancias de morte de pelo menos 3,1 mil mulheres e outras 6,4 mil foram alvo de tentativa de assassinato. 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