{"id":12532,"date":"2022-09-21T11:52:05","date_gmt":"2022-09-21T14:52:05","guid":{"rendered":"http:\/\/dgospel.com.br\/portal\/?p=12532"},"modified":"2022-09-21T11:52:06","modified_gmt":"2022-09-21T14:52:06","slug":"campanha-mobiliza-congresso-e-diferentes-instituicoes-para-combater-violencia-politica-contra-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dgospel.com.br\/portal\/index.php\/2022\/09\/21\/campanha-mobiliza-congresso-e-diferentes-instituicoes-para-combater-violencia-politica-contra-mulheres\/","title":{"rendered":"Campanha mobiliza Congresso e diferentes institui\u00e7\u00f5es para combater viol\u00eancia pol\u00edtica contra mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>As mulheres s\u00e3o 53% do eleitorado brasileiro. Apesar disso, a participa\u00e7\u00e3o feminina nos parlamentos \u00e9 bem menor, entre 15% e 20%. Se analisarmos os cargos executivos, como governos estaduais e prefeituras, esse percentual \u00e9 ainda menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo baixos, esses n\u00fameros s\u00e3o recordes na realidade brasileira e s\u00f3 foram poss\u00edveis depois que o Congresso Nacional aprovou leis que garantem a participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica. \u00c9&nbsp;crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou amea\u00e7ar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ajudar o Brasil a tomar conhecimento da lei, a Secretaria da Mulher da C\u00e2mara dos Deputados, em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), lan\u00e7ou campanha de combate \u00e0 viol\u00eancia pol\u00edtica contra a mulher. As den\u00fancias podem ser feitas pelo Ligue 180, por formul\u00e1rios dispon\u00edveis no site da ouvidoria do TSE e na sala de atendimento ao cidad\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia de leis, no entanto, n\u00e3o \u00e9 garantia de sua aplica\u00e7\u00e3o. Pesquisadoras e pol\u00edticas concordam que \u00e9 preciso fortalecer uma cultura de combate \u00e0 viol\u00eancia pol\u00edtica contra mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ataques<br><\/strong>Em per\u00edodo eleitoral, nas redes sociais, muitas candidatas a algum cargo pol\u00edtico se deparam com ataques, em geral, relacionados \u00e0 apar\u00eancia e \u00e0 conduta moral. Termos cru\u00e9is s\u00e3o usados, como: gorda, burra, feia, prostituta, doida.&nbsp;Mas por que a pol\u00edtica \u00e9 um dos universos hostis para as mulheres no Brasil?<\/p>\n\n\n\n<p>Para responder a essa pergunta, estudos cient\u00edficos apontam que \u00e9 preciso entender de que forma as mulheres s\u00e3o socializadas. \u201cA gente vive num pa\u00eds sexista&#8221;, diz a professora Valeska Zanello, do Departamento de Psicologia Cl\u00ednica da Universidade de Bras\u00edlia. &#8220;A gente aprende como mulher que a coisa mais importante na nossa vida, que a gente deve priorizar, \u00e9 ter um companheiro, fazer uma rela\u00e7\u00e3o e ter uma fam\u00edlia. Estar sempre dispon\u00edvel para atender no dispositivo materno as necessidades, desejos e anseios dos outros.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, continua a professora, pol\u00edtica \u00e9 debate. &#8220;Voc\u00ea tem que \u00e0s vezes subir o tom. Voc\u00ea tem que dizer: n\u00e3o entre aqui, este n\u00e3o \u00e9 seu espa\u00e7o. Ent\u00e3o, as mulheres na socializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o preparadas para o jogo da pol\u00edtica como ele \u00e9 exercido hoje\u201d, explica Valeska.<\/p>\n\n\n\n<p>A deputada <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/74398\">Maria do Ros\u00e1rio (PT-RS)<\/a> j\u00e1 foi v\u00edtima desse tipo de viol\u00eancia. \u201cN\u00f3s precisamos de mais mulheres na pol\u00edtica, mas as mulheres muitas vezes n\u00e3o se sentem seguras o suficiente. Nas suas comunidades, elas s\u00e3o atacadas. S\u00e3o colocados improp\u00e9rios, inverdades, mentiras sobre suas vidas, atacam os seus filhos. O que mais preocupa a mulher \u00e9 quando atacam seus filhos e filhas\u201d, afirma a parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a viol\u00eancia pol\u00edtica atingiu o filho da deputada <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/204546\">Joice Hasselmann (PSDB-SP)<\/a>, ela conta como se sentiu fragilizada. \u201cMeu filho recebeu montagens pornogr\u00e1ficas com a pr\u00f3pria m\u00e3e. Quando aquilo chegou ao miolinho da minha fam\u00edlia, mexeu comigo. Me deixou muito fragilizada. E eu n\u00e3o tenho vergonha de dizer isso. Sou uma mulher muito forte, mas tenho o direito tamb\u00e9m de ser fr\u00e1gil, de estar fr\u00e1gil e eu estava muito fragilizada naquele momento\u201d, relembra Joice.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Importuna\u00e7\u00e3o sexual<br><\/strong>Al\u00e9m de ataques \u00e0 apar\u00eancia das mulheres e a difama\u00e7\u00e3o delas, h\u00e1 outras formas de viol\u00eancia. Como a que ocorreu na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo (Alesp), quando a deputada Isa Pena (PCdoB) foi v\u00edtima de importuna\u00e7\u00e3o sexual pelo deputado Fernando Cury (Uni\u00e3o) em plen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O parlamentar foi flagrado por uma c\u00e2mera da Alesp abra\u00e7ando a parlamentar por tr\u00e1s e passando a m\u00e3o no seio dela. O deputado foi julgado pelo Conselho de \u00c9tica e teve o mandato suspenso por 180 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas casos de cassa\u00e7\u00e3o de mandato nos conselhos de \u00e9tica do Poder Legislativo por causa de viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero s\u00e3o praticamente inexistentes. Segundo a professora Valeska Zanello, a n\u00e3o puni\u00e7\u00e3o desse tipo de abuso \u00e9 uma prote\u00e7\u00e3o para os homens.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa casa dos homens, ela se reproduz em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es. No Judici\u00e1rio, inclusive. Acho que em todas as institui\u00e7\u00f5es de poder. Geralmente nessas institui\u00e7\u00f5es, a gente vai ter como p\u00fablico majorit\u00e1rio homens e homens brancos. S\u00e3o os primeiros a barrar aquilo ali como den\u00fancia, porque eles se identificam n\u00e3o com a mulher que sofreu o ass\u00e9dio, a humilha\u00e7\u00e3o, mas com o homem que assediou.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lei<br><\/strong>O combate a viol\u00eancia de g\u00eanero virou lei virou lei em 2021 (<a href=\"https:\/\/www2.camara.gov.br\/legin\/fed\/lei\/2021\/lei-14192-4-agosto-2021-791631-norma-pl.html\">Lei 14.192\/21<\/a>), com pena de reclus\u00e3o de um a quatro anos e multa. Caso a discrimina\u00e7\u00e3o ou menosprezo seja em rela\u00e7\u00e3o a cor, ra\u00e7a ou etnia, a pena aumenta em um ter\u00e7o at\u00e9 a metade.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto que deu origem a lei \u00e9 de autoria da deputada <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/178945\">Ros\u00e2ngela Gomes (Republicanos-RJ)<\/a>, que relembra viol\u00eancias sofridas no ambiente pol\u00edtico de todos os tipos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFui vereadora na cidade de Nova Igua\u00e7u (RJ) e tamb\u00e9m encontrei uma casa onde h\u00e1 mais de tr\u00eas legislaturas n\u00e3o tinha uma representa\u00e7\u00e3o feminina, uma vereadora. E, quando eu cheguei, cheguei com muita dificuldade, muita luta, enfrentei muitas humilha\u00e7\u00f5es a ponto de ser chamada de macaca, de ser chamada de analfabeta, ao ponto de ter a \u00faltima cadeira, a \u00faltima mesa. N\u00e3o tinha direito a gabinete\u201d, recorda a parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caminho<br><\/strong>No Congresso Nacional, as parlamentares trabalham para tornar natural a participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica, como pontua a deputada Joice Hasselmann. \u201cO grande papel de n\u00f3s mulheres no poder, chegando ao poder, \u00e9 tornar mais f\u00e1cil o caminho daquelas que v\u00eam depois de n\u00f3s. O meu sempre foi dif\u00edcil, o de tantas mulheres tamb\u00e9m&#8221;, lamenta a parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, a deputada Maria do Ros\u00e1rio diz que desistir da pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. \u201cMinha obriga\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 n\u00e3o desistir. Desistir n\u00e3o est\u00e1 no meu vocabul\u00e1rio. Desistam eles, os machistas. Eu vim aqui para fazer o meu trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia C\u00e2mara de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres s\u00e3o 53% do eleitorado brasileiro. Apesar disso, a participa\u00e7\u00e3o feminina nos parlamentos \u00e9 bem menor, entre 15% e 20%. Se analisarmos os cargos executivos, como governos estaduais e prefeituras, esse percentual \u00e9 ainda menor. 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