{"id":156,"date":"2018-05-15T16:05:56","date_gmt":"2018-05-15T19:05:56","guid":{"rendered":"http:\/\/dgospel.com.br\/portal\/?p=156"},"modified":"2018-05-15T16:05:56","modified_gmt":"2018-05-15T19:05:56","slug":"a-excelencia-do-metodo-canonico-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dgospel.com.br\/portal\/index.php\/2018\/05\/15\/a-excelencia-do-metodo-canonico-i\/","title":{"rendered":"A Excel\u00eancia do M\u00e9todo Can\u00f4nico (I)"},"content":{"rendered":"<div><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Certa vez, ao tentar recompor uma propositura teol\u00f3gica, vi-me constrangido a resolver uma quest\u00e3o crucial e um tanto inc\u00f4moda: Que m\u00e9todo hermen\u00eautico devo adotar? Eu poderia ter optado pelo m\u00e9todo liberal: o hist\u00f3rico-cr\u00edtico. Ou prosseguir com o preferido por boa parte dos fundamentalistas: o hist\u00f3rico-gramatical. Mas tais op\u00e7\u00f5es apresentavam alguns problemas e v\u00e1rias inconsist\u00eancias. Decidi, ent\u00e3o, elaborar uma metodologia que me conduzisse \u00e0 B\u00edblia Sagrada, reconsagrando-a como a inspirada, inerrante e completa Palavra de Deus, pois, somente assim, teria condi\u00e7\u00f5es hermen\u00eauticas e teol\u00f3gicas de alcan\u00e7ar a meta que eu delineara ao esbo\u00e7ar aquela obra.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo que, aqui, exponho e que, a partir deste instante, passo a chamar de can\u00f4nico, \u00e9 alicer\u00e7ado em cinco pressupostos: o fide\u00edsta, o lingu\u00edstico, o hist\u00f3rico, o soteriol\u00f3gico e o edificativo. A estas alturas, a quest\u00e3o j\u00e1 \u00e9 imperiosa: por que a metodologia \u00e9 imprescind\u00edvel ao labor teol\u00f3gico?<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>I. A IMPORT\u00c2NCIA DO M\u00c9TODO<\/strong><\/p>\n<p>Embora o m\u00e9todo n\u00e3o seja um fim em si mesmo, n\u00e3o podemos ignor\u00e1-lo no labor teol\u00f3gico. Sem uma metodologia b\u00edblica confi\u00e1vel e fundamentada na genu\u00edna f\u00e9 crist\u00e3, jamais viremos a compreender as verdades que o Pai Celeste revela-nos em sua Palavra.<\/p>\n<p><strong>1. Defini\u00e7\u00e3o de m\u00e9todo<\/strong>. O \u00e9timo da palavra m\u00e9todo prov\u00e9m do grego e significa meio, ou caminho, que se usa para se chegar a determinado fim. Nesse sentido, o m\u00e9todo \u00e9 o processo que, conduzido logicamente, tem por objetivo orientar a pesquisa de um tema quer cient\u00edfico quer filos\u00f3fico ou teol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>2. M\u00e9todo hermen\u00eautico-teol\u00f3gico.<\/strong>\u00a0Enaltecida como ci\u00eancia divina, a Teologia n\u00e3o dispensa as ferramentas da raz\u00e3o, embora esteja muito acima desta. Doutra forma, n\u00e3o poderia sistematizar, com efici\u00eancia, as verdades referentes ao Verdadeiro e \u00danico Deus expostas na alma humana, no mundo natural, na Hist\u00f3ria e, principalmente, na B\u00edblia Sagrada. Na verdade, os instrumentos da raz\u00e3o n\u00e3o pertencem rigorosamente \u00e0 Filosofia; sempre estiveram em nosso esp\u00edrito. O pr\u00f3prio Deus insta seus filhos a arrazoarem com Ele (Is 1.18). Conclui-se que o Criador \u00e9 um Ser logicamente plaus\u00edvel.<\/p>\n<p>No Are\u00f3pago de Atenas, Paulo fez uso da filosofia grega a fim de expor aos estoicos e epicureus duas coisas: a inutilidade dessa mesma filosofia e a efic\u00e1cia do Evangelho (At 17.16-31). Em sua apologia, o ap\u00f3stolo foi mais eloquente que P\u00e9ricles, mais inquiridor que S\u00f3crates, mais l\u00f3gico que Arist\u00f3teles e muito mais sublime que Plat\u00e3o. Se por um lado, n\u00e3o converteu os fil\u00f3sofos ali reunidos; por outro, constrangeu-os a se calarem. Mas nem por isso deixou de ser evang\u00e9lico e soteriol\u00f3gico; levou D\u00e2mares, Dion\u00edsio e outros ouvintes aos p\u00e9s de Jesus (At 17:34).<\/p>\n<p><strong>3. O m\u00e9todo can\u00f4nico.<\/strong>\u00a0O m\u00e9todo can\u00f4nico pode ser descrito como a exegese, que, partindo do C\u00e2non Sagrado, interpreta este mesmo C\u00e2non com os recursos da\u00ed advindos. Em palavras mais simples, a B\u00edblia Sagrada possui recursos suficientes para interpretar a si mesma. Firmado nessa pressuposi\u00e7\u00e3o \u00e1urea, provarei, ao longo desta obra, que a Palavra de Deus n\u00e3o depende das ci\u00eancias humanas para falar ao nosso cora\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significa que desprezaremos a concorr\u00eancia da hist\u00f3ria, da arqueologia e da lingu\u00edstica. Tais recursos ter\u00e3o a sua vez. No entanto, comportar-se-\u00e3o como auxiliares submissos e d\u00f3ceis da Teologia.<\/p>\n<p>Achei por bem chamar de can\u00f4nico a este m\u00e9todo, porque todos os instrumentos de que necessito para interpretar as narrativas e proposi\u00e7\u00f5es sagradas encontram-se no c\u00e2non da pr\u00f3pria B\u00edblia. Tal procedimento, usado pelos ap\u00f3stolos para interpretar cristologicamente os profetas, fora utilizado originalmente por estes a fim de virem a entender, com base nos escritos de seus predecessores, os sinais dos tempos. Haja vista Daniel. Indagando a sorte dos judeus exilados em Babil\u00f4nia, ele s\u00f3 logrou compreender o mist\u00e9rio das Setenta Semanas, ap\u00f3s debru\u00e7ar-se sobre os escritos de Jeremias (Dn 9:1,2).<\/p>\n<p>Se lermos atentamente o Salmo 119, constataremos que Davi, ao servir-se do m\u00e9todo can\u00f4nico, veio a conhecer em sua ess\u00eancia o esp\u00edrito da Lei que o Senhor entregara a Mois\u00e9s. J\u00e1 os escribas e fariseus, por outro lado, entorpecidos pelo magist\u00e9rio dos anci\u00e3os, foram incapazes de ver, no Antigo Testamento, a chegada do Novo. Ainda hoje, quando os judeus p\u00f5em-se a ler a Lei, os Profetas e os Escritos veem-se toldados pelo v\u00e9u de sua hermen\u00eautica viciada pela incredulidade (2 Co 3:15,16). No desprezo pelo m\u00e9todo can\u00f4nico, s\u00e3o incapazes de contemplar a Jesus nas Escrituras que t\u00eam em m\u00e3os (Rm 10:8-13). E, ainda que haja eruditos competentes entre eles, n\u00e3o conseguem desenvolver uma cristologia m\u00ednima. Como podem ler o cap\u00edtulo 53 de Isa\u00edas e n\u00e3o contemplar, ali, o Cristo ferido e humilhado de Deus?<\/p>\n<p>Vejamos, a seguir, os pressupostos b\u00e1sicos do m\u00e9todo can\u00f4nico. Tais pressupostos, ali\u00e1s, n\u00e3o s\u00e3o ignorados apenas pela comunidade hermen\u00eautica de Israel; ignoram-nos, igualmente, a academia teol\u00f3gica crist\u00e3 p\u00f3s-moderna.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>(Continua na pr\u00f3xima semana, se Deus assim o quiser)<\/div>\n<div>______________________________________________________________________________<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Claudionor de Andrade<\/strong>\u00a0Claudionor de Andrade \u00e9 Consultor Teol\u00f3gico da CPAD, membro da Casa de Letras Em\u00edlio Conde, te\u00f3logo, conferencista, Comentarista das Revistas Li\u00e7\u00f5es B\u00edblicas da CPAD e autor dos livros \u201cAs Verdades Centrais da F\u00e9 Crist\u00e3\u201d, \u201cManual do Conselheiro Crist\u00e3o\u201d, \u201cTeologia da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3\u201d, \u201cManual do Superintendente da Escola Dominical\u201d, \u201cDicion\u00e1rio Teol\u00f3gico\u201d, \u201cAs Disciplinas da Vida Crist\u00e3\u201d, \u201cJeremias \u2013 O Profeta da Esperan\u00e7a\u201d, \u201cGeografia B\u00edblica\u201d, \u201cHist\u00f3ria de Jerusal\u00e9m\u201d, \u201cFundamentos B\u00edblicos de um Aut\u00eantico Avivamento\u201d, \u201cMerecem Confian\u00e7a as Profecias?\u201d, \u201cComent\u00e1rio B\u00edblico de Judas\u201d, \u201cDicion\u00e1rio B\u00edblico das Profecias\u201d e \u201cComent\u00e1rio B\u00edblico de J\u00f3\u201d, dentre outros t\u00edtulos da CPAD.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODU\u00c7\u00c3O Certa vez, ao tentar recompor uma propositura teol\u00f3gica, vi-me constrangido a resolver uma quest\u00e3o crucial e um tanto inc\u00f4moda: Que m\u00e9todo hermen\u00eautico devo adotar? Eu poderia ter optado pelo m\u00e9todo liberal: o hist\u00f3rico-cr\u00edtico. Ou prosseguir com o preferido por boa parte dos fundamentalistas: o hist\u00f3rico-gramatical. Mas tais op\u00e7\u00f5es apresentavam alguns problemas e v\u00e1rias inconsist\u00eancias. 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