{"id":7820,"date":"2021-03-13T18:11:07","date_gmt":"2021-03-13T21:11:07","guid":{"rendered":"http:\/\/dgospel.com.br\/portal\/?p=7820"},"modified":"2021-03-13T18:15:38","modified_gmt":"2021-03-13T21:15:38","slug":"como-a-igreja-lidou-com-epidemias-nos-seculos-passados-veja-exemplos-e-licoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dgospel.com.br\/portal\/index.php\/2021\/03\/13\/como-a-igreja-lidou-com-epidemias-nos-seculos-passados-veja-exemplos-e-licoes\/","title":{"rendered":"Como a Igreja lidou com epidemias nos s\u00e9culos passados? Veja exemplos e li\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/thumbor.guiame.com.br\/unsafe\/840x500\/smart\/https:\/\/media.guiame.com.br\/archives\/2021\/03\/12\/3477369334-igrejanaspandemias.jpg\" alt=\"Culto ao ar livre em S\u00e3o Francisco durante a pandemia da Gripe Espanhola, em 1918. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter\/Marina Amaral)\"\/><figcaption>Culto ao ar livre em S\u00e3o Francisco durante a pandemia da Gripe Espanhola, em 1918. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter\/Marina Amaral)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O ano de 2020 trouxe a maior crise epid\u00eamica das \u00faltimas d\u00e9cadas: a pandemia da Covid-19. O impacto foi tanto que alterou todas as \u00e1reas da vida, estabelecendo um \u201cnovo normal\u201d. Se adaptar a esse novo contexto sombrio foi um desafio para todo mundo, inclusive para a Igreja.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Congrega\u00e7\u00f5es em todo o mundo tiveram que se habituar aos decretos de preven\u00e7\u00e3o dos governos, investir na programa\u00e7\u00e3o e cultos online, e dar respostas b\u00edblicas \u00e0s quest\u00f5es mais dif\u00edceis que angustiam o ser humano, como \u201cpor que Deus permite o sofrimento?\u201d e \u201cpor que o justo sofre?\u201d.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Quando crises batem \u00e0 porta, temos o costume de olhar para tr\u00e1s em busca de respostas na hist\u00f3ria das gera\u00e7\u00f5es passadas, que tamb\u00e9m vivenciaram ang\u00fastias como as nossas. Os crist\u00e3os sempre fizeram isto; procuramos nas vidas dos personagens b\u00edblicos o consolo, for\u00e7a e conselho espiritual para nossos pr\u00f3prios desafios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempo de pandemia, seria s\u00e1bio o Corpo de Cristo relembrar como a Igreja lidou com outras pandemias nos s\u00e9culos passados, a fim de tirar li\u00e7\u00f5es que nos possam servir hoje.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>A igreja protestante na linha de frente das pandemias<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quando olhamos para a hist\u00f3ria da Igreja durante surtos epid\u00eamicos a vemos atuando na linha de frente, combatendo as pragas atrav\u00e9s da ajuda social e amparo espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs igrejas, de modo geral, t\u00eam um hist\u00f3rico de solidariedade e de enfrentamento muito forte das pandemias. As igrejas evang\u00e9licas, sejam elas protestantes ou pentecostais, sempre tiveram uma postura muito s\u00e9ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crises epid\u00eamicas\u201d, analisa o professor de Teologia da Universidade Mackenzie, Gerson Moraes, em entrevista ao&nbsp;<strong>Guiame<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor afirma que os relatos hist\u00f3ricos revelam como muitos pastores e ministros atuaram de forma heroica nas pandemias \u2013 muitos at\u00e9 mesmo se sacrificando para cumprir sua miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDurante a Reforma Protestante, vamos encontrar o pr\u00f3prio Martinho Lutero enfrentando uma epidemia de peste negra na Europa. Ele deixa registrado em diversos momentos de sua obra como ele lida com a situa\u00e7\u00e3o de maneira pastoral; enterra pessoas, cuida de crian\u00e7as que perderam os pais\u201d, diz Gerson e conclui: \u201cEsse \u00e9 o perfil hist\u00f3rico de um sacerdote protestante que lidou com esta quest\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos relatos de crist\u00e3os lidando com crises epid\u00eamicas desde a Igreja Primitiva at\u00e9 a Reforma Protestante; igrejas abrindo suas portas para servir de hospitais, irm\u00e3os cuidando de enfermos na pr\u00f3pria casa e pastores doando suas vidas como verdadeiros m\u00e1rtires. Acompanhe a linha do tempo e entenda como foi a atua\u00e7\u00e3o da Igreja durante as principais pandemias da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/thumbor.guiame.com.br\/unsafe\/smart\/https:\/\/media.guiame.com.br\/archives\/2021\/03\/12\/2466294903-.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br><sup>Imagem ilustrativa de igreja servindo&nbsp;como&nbsp;hospital. (Imagem: Calvin Institute of Christian Worship)<\/sup><\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Peste Antonina (166-189 d.C.) \u2013 Roma<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A primeira grande epidemia enfrentada pela Igreja Primitiva foi a Peste Antonina, de 166 a 189 d.C., levada a Roma pelas tropas que retornavam da campanha contra os persas. A doen\u00e7a, provavelmente var\u00edola, dizimou cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o. Em 189 d.C., a taxa de mortalidade por dia chegou a 2 mil pessoas em Roma, de acordo com o historiador romano Dio Cassio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Glenn Sunshine, professor de Hist\u00f3ria na Universidade Estadual do Centro de Connecticut, as pessoas da \u00e9poca j\u00e1 entendiam que a praga era contagiosa e, por isso, expulsavam seus doentes de casa para morrerem na rua e os ricos fugiam para suas propriedades rurais no interior.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor disse em artigo para a Mission Frontiers, que os crist\u00e3os permaneceram em Roma para cuidar dos vizinhos doentes, mesmo sabendo que n\u00e3o tinham meios de se proteger contra a doen\u00e7a. Os cuidados b\u00e1sicos de enfermagem oferecidos pela Igreja salvaram muitas vidas e contribu\u00edram para o r\u00e1pido crescimento do cristianismo.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Peste de Cipriano (249-262 d.C.) \u2013 Roma<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/thumbor.guiame.com.br\/unsafe\/smart\/https:\/\/media.guiame.com.br\/archives\/2021\/03\/12\/2536885031-.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><sup>Crist\u00e3os orando do lado de fora de uma igreja durante a Gripe Espanhola&nbsp;em S\u00e3o Francisco (EUA), em 1918. (Foto: Hulton Archive\/Getty images)<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo seguinte, o mesmo fen\u00f4meno ocorreu. A Peste de Cipriano \u2013 chamada assim em homenagem a Cipriano, o bispo de Cartago que registrou a epidemia \u2013 atingiu o Imp\u00e9rio Romano drasticamente. No pico da epidemia, a praga matou 5 mil pessoas por dia em Roma. E dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o de Alexandria, a segunda maior cidade do Imp\u00e9rio Romano, morreu v\u00edtima da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A praga \u2013 que pode ter sido um novo surto de var\u00edola ou uma febre hemorr\u00e1gica como o ebola, segundo os especialistas \u2013 foi descrita como terr\u00edvel pelo Bispo Cipriano: \u201cOs intestinos s\u00e3o sacudidos por um v\u00f4mito cont\u00ednuo; os olhos est\u00e3o em chamas com o sangue infectado; em alguns casos, os p\u00e9s ou algumas partes dos membros s\u00e3o arrancados pelo cont\u00e1gio da putrefa\u00e7\u00e3o doentia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente os crist\u00e3os, de maneira corajosa, cuidavam dos doentes e moribundos enquanto cidades inteiras eram abandonadas na It\u00e1lia. \u201cNo in\u00edcio da doen\u00e7a, [os italianos] empurraram os sofredores e fugiram de seus entes queridos, jogando-os nas estradas antes que morressem e tratando os cad\u00e1veres n\u00e3o enterrados como sujeira\u201d, relatou Cipriano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como no s\u00e9culo passado durante a Peste Antonina, o cristianismo teve um crescimento exponencial. O soci\u00f3logo religioso Rodney Stark calcula que a popula\u00e7\u00e3o crist\u00e3 em 251 d.C. era formada por cerca de 1,2 milh\u00e3o no Imp\u00e9rio Romano e em 300 d.C. j\u00e1 eram cerca de 6 milh\u00f5es de crentes, segundo informa Glen Scrivener em artigo para o The Gospel Coalition.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodney Stark avalia que ao cuidar dos n\u00e3o crentes infectados, a Igreja criou novas redes sociais, fazendo com que o Evangelho se propagasse rapidamente e convertendo muitos pag\u00e3os ao Evangelho. O soci\u00f3logo conclui que as pragas foram um importante fator para o crescimento do cristianismo no Imp\u00e9rio Romano, provando mais uma vez que o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Peste Negra (s\u00e9culo 14) \u2013 Europa e \u00c1sia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Do s\u00e9culo 14 em diante, a Peste Negra assombrou a Europa matando milh\u00f5es de pessoas. Em apenas cinco anos, metade da popula\u00e7\u00e3o do continente morreu v\u00edtima da doen\u00e7a. Nesta pandemia, a Igreja atuava na linha de frente, muitas vezes disponibilizando seus templos para servirem de hospitais improvisados, onde ministros auxiliavam como enfermeiros leigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na era da Reforma Protestante, em&nbsp;<em>agosto de 1527<\/em>, a Peste Negra atingiu a cidade de Wittenberg na Alemanha, morada de Martinho Lutero. Muitos moradores fugiram da cidade para salvar suas vidas, Lutero foi aconselhado a fazer o mesmo, mas ele e a esposa Katharina, que estava gr\u00e1vida na \u00e9poca, decidiram permanecer para cuidar dos infectados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em carta de 19&nbsp;de agosto de 1527, Martinho Lutero escreveu: \u201cEstamos aqui sozinhos com os di\u00e1conos, mas Cristo est\u00e1 presente tamb\u00e9m, para que n\u00e3o estejamos s\u00f3s, e Ele triunfar\u00e1 em n\u00f3s sobre aquela velha serpente, assassina e autora do pecado, por mais que ele machuque o calcanhar de Cristo. Ore por n\u00f3s e adeus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Michael Whiting, diretor de conte\u00fado da Universidade Dallas Baptist, em artigo para o site da mesma universidade, embora o reformador tivesse se recusado a fugir da praga para cuidar de doentes em sua pr\u00f3pria casa, Lutero recomendava aos fi\u00e9is que seguissem as medidas de prote\u00e7\u00e3o contra a Peste Negra.<\/p>\n\n\n\n<p>Martinho dizia que as ora\u00e7\u00f5es de f\u00e9 deveriam ser oferecidas pela miseric\u00f3rdia de Deus junto com as pr\u00e1ticas respons\u00e1veis de saneamento, medica\u00e7\u00e3o e isolamento social para \u201cn\u00e3o ser respons\u00e1vel pela pr\u00f3pria morte ou de qualquer outra pessoa\u201d. E, embora ele seguisse os conselhos m\u00e9dicos tanto quanto poss\u00edvel, dizia que \u201cn\u00e3o negligenciaria seus deveres como crist\u00e3o e pastor\u201d, caso seu&nbsp; vizinho precisasse dele ou algu\u00e9m necessitasse de conforto quando estava doente ou morrendo, era seu dever estar presente.<\/p>\n\n\n\n<p>E afirmava contundente: &#8220;Se fosse sua hora de morrer, Deus saberia onde encontr\u00e1-lo\u201d.&nbsp; Martinho Lutero e Katharina sobreviveram \u00e0 epidemia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/thumbor.guiame.com.br\/unsafe\/smart\/https:\/\/media.guiame.com.br\/archives\/2021\/03\/12\/1378993534-.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br><sup>Lutero e sua esposa Katharina cuidaram de enfermos durante a Peste Negra em 1527. (Foto: Wikimedia Communs)<\/sup><\/p>\n\n\n\n<h3><strong>C\u00f3lera (1817 \u2013 at\u00e9 hoje)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Existente desde a Antiguidade, a primeira epidemia global de c\u00f3lera aconteceu em 1817 e desde l\u00e1 o v\u00edrus sofreu muta\u00e7\u00f5es, ocasionando novos ciclos epid\u00eamicos de tempos em tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1854, um surto de c\u00f3lera assombrou Londres, na \u00e9poca a capital mais rica do mundo com mais de 2 milh\u00f5es de habitantes. Neste tempo, Charles Spurgeon, com apenas 20 anos, pastoreava a capela da New Park Street.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00edncipe dos pregadores notou que a recep\u00e7\u00e3o dos londrinos ao Evangelho estava maior durante a epidemia. Aqueles que antes zombavam de sua prega\u00e7\u00e3o, agora estavam buscando esperan\u00e7a em Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe existe um momento em que a mente \u00e9 sens\u00edvel, \u00e9 quando a morte est\u00e1 em alta. Lembro-me, quando vim a Londres pela primeira vez, de como as pessoas ouviam o Evangelho com ansiedade, pois a c\u00f3lera estava se alastrando terrivelmente. Houve pouca zombaria ent\u00e3o\u201d, relatou Spurgeon.<\/p>\n\n\n\n<p>O pregador contou a hist\u00f3ria de um homem moribundo de Londres que antes o criticava: \u201cAquele homem, em sua vida, costumava zombar de mim. Em linguagem forte, ele sempre me denunciou como hip\u00f3crita. No entanto, ele mal foi atingido pelos dardos da morte e buscou minha presen\u00e7a e conselho, sem d\u00favida sentindo em seu cora\u00e7\u00e3o que eu era um servo de Deus, embora ele n\u00e3o se importasse em admitir isso com seus l\u00e1bios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Glen Scrivener, evangelista da Igreja da Inglaterra, em artigo para o The Gospel Coalition, avalia que \u201cSpurgeon viu as pragas de seus dias como uma tempestade que levou muitos a buscar ref\u00fagio em Cristo, a Rocha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Gripe Espanhola \u2013 (1918 a 1919)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/thumbor.guiame.com.br\/unsafe\/smart\/https:\/\/media.guiame.com.br\/archives\/2021\/03\/12\/540801250-.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><sup>Igreja Episcopal do Calv\u00e1rio em&nbsp;Pittsburgh&nbsp;servindo&nbsp;como hospital durante a Gripe Espanhola. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Pittsburgh Post-Gazette)<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo 20, a Gripe Espanhola se espalhou pelo mundo todo, dizimando cerca de 50 milh\u00f5es de pessoas. No Brasil, a doen\u00e7a matou o presidente Rodrigues Alves. A pandemia desafiou pa\u00edses, governos, igrejas e profissionais da sa\u00fade a lidar com uma crise generalizada em um mundo que ainda se recuperava da destrui\u00e7\u00e3o da Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Dr. Michael Whiting, diretor de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Batista Dallas, nos EUA, os templos das igrejas foram fechados e os crist\u00e3os continuaram adorando a Deus em suas casas. H\u00e1 relatos tamb\u00e9m de cultos ao ar livre, como registrado na cidade de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas igrejas abriram suas portas para servir como cl\u00ednicas de sa\u00fade improvisadas j\u00e1 que os hospitais estavam lotados. M\u00e9dicos e enfermeiros crist\u00e3os se doavam para cuidar dos infectados, junto com irm\u00e3os leigos, muitos deles sacrificando a pr\u00f3pria vida, de acordo com Whiting em artigo para o site da mesma universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme registros da Biblioteca Mary Baker Eddy, durante a pandemia da Gripe Espanhola, l\u00edderes protestantes, cat\u00f3licos e judeus discutiam sobre os decretos do governo de fechar as igrejas. Alguns acreditavam que o servi\u00e7o da igreja era mais do que necess\u00e1rio naquele momento, defendendo que os templos ficassem abertos. Cientistas crist\u00e3os tamb\u00e9m participavam da discuss\u00e3o, alguns deles eram favor\u00e1veis a obedecer \u00e0 ordem de conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 relatos de igrejas brasileiras na luta contra a Gripe Espanhola, como a Igreja Presbiteriana de Curitiba. Segundo reportagem da Gazeta do Povo, durante a epidemia que atingiu a capital do Paran\u00e1 entre 1918 e 1919, a igreja recebeu doentes, quando os postos de sa\u00fade se encontravam superlotados.<\/p>\n\n\n\n<p>Juarez Marcondes Filho, pastor titular desta igreja e secret\u00e1rio-geral da Igreja Presbiteriana do Brasil, afirmou \u00e0 Gazeta do Povo que a casa pastoral serviu de ambulat\u00f3rio emergencial. \u201cProvavelmente fi\u00e9is m\u00e9dicos ajudaram no acolhimento. Foi algo emergencial, n\u00e3o oficial. Est\u00e1vamos pr\u00f3ximos ao Centro e houve um apelo\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Pastores na linha de frente em pandemias: verdadeiros m\u00e1rtires&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/thumbor.guiame.com.br\/unsafe\/smart\/https:\/\/media.guiame.com.br\/archives\/2021\/03\/12\/2301422641-.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><sup>Pastor Eduardo Lane e sua esposa Mary. O pastor presbiteriano cuidou de enfermos durante um surto de Var\u00edola em Campinas (SP). (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/IBEL\/TV Mackenzie)<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria da Igreja, encontramos relatos de pastores batalhando na linha de frente nas pandemias. Homens corajosos que n\u00e3o tiveram sua vida como preciosa e cumpriram seu pastorado at\u00e9 o fim, muitos sacrificando a pr\u00f3pria vida para salvar outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia da Covid-19, a hist\u00f3ria se repete. Ministros servindo sua igreja, consolando fam\u00edlias enlutadas, enterrando v\u00edtimas do coronav\u00edrus, pregando a esperan\u00e7a vindoura para um mundo em desespero. Infelizmente, muitos desses pastores foram promovidos aos C\u00e9us por serem infectados da Covid, morrendo como verdadeiros m\u00e1rtires pelo Evangelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Gerson Moraes, professor de Teologia da Universidade Mackenzie, lembra ao&nbsp;<strong>Guiame<\/strong>&nbsp;que a situa\u00e7\u00e3o do pastor \u00e9 muito delicada: \u201cO pastorado significa se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram. Voc\u00ea tem que estar preparado espiritualmente para fazer um enterro de manh\u00e3 e um casamento ao final da tarde\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor cita como exemplo o testemunho do pastor presbiteriano Eduardo Lane que atuou na epidemia de Febre Amarela em Campinas, no final dos anos 1880. Na \u00e9poca, a cidade tinha entre 15 mil a 18 mil habitantes e a doen\u00e7a reduziu drasticamente a popula\u00e7\u00e3o para 5 mil moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>O pastor Lane, que tamb\u00e9m era m\u00e9dico, cuidava dos enfermos. E recusando-se a abandonar os pacientes, acabou morrendo v\u00edtima de Febre Amarela.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>O papel da Igreja em tempos de pandemia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/thumbor.guiame.com.br\/unsafe\/smart\/https:\/\/media.guiame.com.br\/archives\/2021\/03\/12\/1069369234-.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><sup>Jornal anunciando o cancelamento de cultos em S\u00e3o Francisco durante a Gripe Espanhola. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Newspapers.com)<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Glenn Shunsine, professor de Hist\u00f3ria na Universidade Estadual do Centro de Connecticut, em artigo para a Mission Frontiers, lembra que a maneira de amar o pr\u00f3ximo pode ser diferente para cada per\u00edodo da hist\u00f3ria, visto que nas pandemias anteriores a ci\u00eancia n\u00e3o era t\u00e3o avan\u00e7ada e n\u00e3o haviam hospitais modernos e tantos profissionais qualificados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAmar o nosso pr\u00f3ximo pode significar coisas diferentes em momentos diferentes\u201d, ponderou Shunsine. \u201cPode significar distanciamento social para que n\u00e3o corramos o risco de infect\u00e1-los como Lutero sugeriu, mas tamb\u00e9m pode significar ir a \u00e1reas onde corremos o risco de contrair a doen\u00e7a. Se formos para essas \u00e1reas, devemos tomar todas as precau\u00e7\u00f5es poss\u00edveis contra a infec\u00e7\u00e3o, mas reconhecer com Paulo que \u2018para mim, viver \u00e9 Cristo e morrer \u00e9 ganho\u2019&#8221;, afirmou Glenn.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor tamb\u00e9m destacou a import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o em tempos de pandemia, junto com o tratamento m\u00e9dico formal. Ele disse que muitos milagres foram registrados nas crises epid\u00eamicas ao longo da hist\u00f3ria: \u201cN\u00e3o \u00e9 incomum encontrar relatos de curas milagrosas em resposta \u00e0 ora\u00e7\u00e3o em epidemias em v\u00e1rias partes do mundo nos \u00faltimos 200 anos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o historiador, Deus continua ouvindo nossas ora\u00e7\u00f5es em favor dos enfermos: \u201cDeus continua a curar em resposta \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, e ser\u00edamos tolos se n\u00e3o nos volt\u00e1ssemos para Ele em todos os nossos esfor\u00e7os para lidar com doen\u00e7as e seu impacto em vidas e comunidades. N\u00e3o devemos negligenciar a ora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3>\u201cSe existe um momento em que a mente \u00e9 sens\u00edvel,<br>\u00e9 quando a morte est\u00e1 em alta&#8221;.<br>\u2014&nbsp;Charles Spurgeon<br><\/h3>\n\n\n\n<p>Shunsine tamb\u00e9m enfatizou que a Igreja, desde o seu in\u00edcio, considerou a ci\u00eancia como uma gra\u00e7a de Deus dado aos homens, incentivando que Igreja atual fa\u00e7a o mesmo. \u201cDesde os primeiros s\u00e9culos, os crist\u00e3os reconheceram a medicina como um bom presente de Deus e utilizaram os melhores conhecimentos m\u00e9dicos e tecnologias dispon\u00edveis; eles tamb\u00e9m defenderam seguir os conselhos m\u00e9dicos. Ao lidarmos com a Covid-19 e outras doen\u00e7as, devemos seguir seu exemplo\u201d, observou Gleen.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o te\u00f3logo Gutierres Fernandes, a Igreja tem um papel social importante em pandemias porque exerce influ\u00eancia sobre a vida de muitas pessoas: \u201cQuando a Igreja segue os protocolos de seguran\u00e7a recomendado pelos agentes de sa\u00fade e quando promove campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o, a Igreja est\u00e1 agindo de maneira s\u00e1bia\u201d, disse ao&nbsp;<strong>Guiame<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Gerson Moraes, professor de Teologia da Universidade Mackenzie, recorda que a Igreja deve estar na linha de frente durante as calamidades, ajudando o pr\u00f3ximo e anunciando as boas novas de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E Gerson vai al\u00e9m: \u201cA Igreja deve ser a linha de frente n\u00e3o apenas no servi\u00e7o, mas em rela\u00e7\u00e3o ao discurso. Ela deve andar de m\u00e3os dadas com a ci\u00eancia, lutando contra o engano. N\u00e3o ser negacionista, n\u00e3o ser obscurantista, n\u00e3o se vender para pol\u00edticos de ocasi\u00e3o. E manter sua mensagem eterna e eficaz, que n\u00e3o deve mudar ou ser vendida em hip\u00f3tese nenhuma\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2020 trouxe a maior crise epid\u00eamica das \u00faltimas d\u00e9cadas: a pandemia da Covid-19. O impacto foi tanto que alterou todas as \u00e1reas da vida, estabelecendo um \u201cnovo normal\u201d. 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