{"id":8168,"date":"2021-04-13T11:19:09","date_gmt":"2021-04-13T14:19:09","guid":{"rendered":"http:\/\/dgospel.com.br\/portal\/?p=8168"},"modified":"2021-04-13T11:19:10","modified_gmt":"2021-04-13T14:19:10","slug":"juiza-de-sc-permite-adocao-de-genero-neutro-em-certidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dgospel.com.br\/portal\/index.php\/2021\/04\/13\/juiza-de-sc-permite-adocao-de-genero-neutro-em-certidao\/","title":{"rendered":"Ju\u00edza de SC permite ado\u00e7\u00e3o de g\u00eanero neutro em certid\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p> Em uma das primeiras decis\u00f5es sobre o tema no pa\u00eds, a ju\u00edza V\u00e2nia Petermann, da Justi\u00e7a estadual de Santa Catarina, reconheceu o direito de uma pessoa de declarar que seu g\u00eanero \u00e9 neutro em sua certid\u00e3o de nascimento. Na decis\u00e3o que tamb\u00e9m admitiu a mudan\u00e7a do nome da pessoa, como ela havia pedido, a magistrada ponderou que o Judici\u00e1rio deve frear a discrimina\u00e7\u00e3o das minorias e garantir a todos o exerc\u00edcio pleno de uma vida digna. <\/p>\n\n\n\n<p> \u2013 Impedir as pessoas de serem o que sentem que s\u00e3o \u00e9 uma afronta \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o \u2013 registrou V\u00e2nia. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a magistrada, deve-se garantir \u2018o direito fundamental \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, livre de qualquer esp\u00e9cie de preconceito, opress\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Os ideais de igualdade e dignidade, o vi\u00e9s protetivo da personalidade, previstos em nossa Constitui\u00e7\u00e3o dependem do avan\u00e7o legislativo para atender a din\u00e2mica evolutiva da vida em Sociedade. Diante de uma lei que n\u00e3o faz mais sentido, da norma infraconstitucional, e da falta do avan\u00e7o no fluxo do que est\u00e1 pulsando, n\u00e3o cabe denegar os mais intr\u00ednsecos direitos inerentes a todo ser humano \u2013 ponderou V\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>As informa\u00e7\u00f5es foram divulgadas pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Santa Catarina. O caso corre sob segredo de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JU\u00cdZA CITA ONU EM DECIS\u00c3O<br><\/strong>Segundo os autos, a pessoa que acionou a Justi\u00e7a de Santa Catarina foi registrada como sendo do g\u00eanero masculino, mas nunca se identificou como tal e tampouco com o g\u00eanero feminino. Extrajudicialmente, tentou mudar em sua a certid\u00e3o de nascimento, n\u00e3o s\u00f3 o nome, mas tamb\u00e9m o g\u00eanero, pedindo que constasse no documento a express\u00e3o \u2018n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza V\u00e2nia Petermann admitiu a judicializa\u00e7\u00e3o do caso e proferiu a senten\u00e7a com base em dados hist\u00f3ricos, antropol\u00f3gicos, sociol\u00f3gicos, filos\u00f3ficos, biol\u00f3gicos, psicanal\u00edticos, e psicol\u00f3gicos, al\u00e9m de fazer extensa uma an\u00e1lise sobre a trajet\u00f3ria de g\u00eanero e sexualidade, no Brasil e no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o da magistrada foi a de que, h\u00e1 uma \u2018voz muda\u2019 na hist\u00f3ria sociedade, e igualmente do legislador, sobre a identifica\u00e7\u00e3o neutra \u2013 na lei h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o do item sexo, e n\u00e3o os sexos biol\u00f3gicos, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que n\u00e3o havia jurisprud\u00eancia sobre o tema no Brasil, a ju\u00edza se cercou de decis\u00f5es de pa\u00edses de sistemas compat\u00edveis para proferir sua decis\u00e3o, citando doutrinas nacionais e estrangeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha, a magistrada considerou que \u2018prevalecem os princ\u00edpios que afirmam o direito fundamental da pessoa ag\u00eanero assim ser juridicamente reconhecida\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e2nia explicou que o Judici\u00e1rio \u00e9 o guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, na qual o princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana \u00e9 pilar fundamental. A magistrada ainda citou outras prote\u00e7\u00f5es \u2013 garantidas n\u00e3o s\u00f3 pela carta magna, mas tamb\u00e9m por Tratados Internacionais dos quais o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio \u2013 como o direito de liberdade de express\u00e3o de ser como se identifica.<\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza ressaltou que o g\u00eanero neutro \u00e9 um conceito adotado pela ONU, para as \u2018pessoas que nascem com caracter\u00edsticas sexuais que n\u00e3o se encaixam nas defini\u00e7\u00f5es t\u00edpicas do sexo masculino e feminino\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A magistrada ainda lembrou que o Supremo Tribunal Federal j\u00e1 se manifestou a favor da possibilidade de se mudar o registro de sexo, independentemente do \u00f3rg\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e2nia tamb\u00e9m fez considera\u00e7\u00f5es sobre a l\u00edngua brasileira, frisando que n\u00e3o se pode negar um direito de n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o de sexo. Segundo ela, \u2018a adequa\u00e7\u00e3o encontrar\u00e1 espa\u00e7o, seja na voz da sociedade, ou da legisla\u00e7\u00e3o, o que depender\u00e1 do devido tempo, como ocorre em outros pa\u00edses que n\u00e3o t\u00eam o pronome neutro\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>*Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma das primeiras decis\u00f5es sobre o tema no pa\u00eds, a ju\u00edza V\u00e2nia Petermann, da Justi\u00e7a estadual de Santa Catarina, reconheceu o direito de uma pessoa de declarar que seu g\u00eanero \u00e9 neutro em sua certid\u00e3o de nascimento. 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