{"id":8590,"date":"2021-06-04T12:47:03","date_gmt":"2021-06-04T15:47:03","guid":{"rendered":"http:\/\/dgospel.com.br\/portal\/?p=8590"},"modified":"2021-06-04T12:49:00","modified_gmt":"2021-06-04T15:49:00","slug":"o-conflito-arabe-israelense-apos-o-terror-do-tiktok","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dgospel.com.br\/portal\/index.php\/2021\/06\/04\/o-conflito-arabe-israelense-apos-o-terror-do-tiktok\/","title":{"rendered":"O conflito \u00e1rabe-israelense ap\u00f3s o Terror do TikTok"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;\u201cS\u00f3 se ouvia, vinda do r\u00e1dio no \u00faltimo volume,\na voz profunda e \u00e1spera do locutor americano que eletrizava o ar frio da noite,\nou poderia ser a voz do presidente da Assembleia, Oswaldo Aranha, do Brasil. Um\ndepois do outro, ele lia os nomes dos \u00faltimos pa\u00edses da lista, pela ordem\nalfab\u00e9tica inglesa, e repetia imediatamente a resposta do representante ao\nmicrofone. [\u2026] Ent\u00e3o a voz profunda, um tanto rouca, a estremecer o ar por meio\ndo som do r\u00e1dio anuncia o resultado da contagem num tom seco e \u00e1spero, mas com\nindisfar\u00e7\u00e1vel regozijo: \u2018Trinta e tr\u00eas a favor. Treze contra. Dez absten\u00e7\u00f5es e\num pa\u00eds ausente da vota\u00e7\u00e3o. A proposta foi aceita&#8217;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O trecho acima foi\nescrito pelo escritor israelense Am\u00f3s Oz, em seu livro de mem\u00f3rias&nbsp;<em>De\nAmor e Trevas<\/em>. O autor narra, emocionado, suas lembran\u00e7as do dia 29 de\nnovembro de 1947, quando um brasileiro, Oswaldo Aranha, presidiu a sess\u00e3o e\nanunciou o resultado da vota\u00e7\u00e3o a respeito da partilha do territ\u00f3rio da\npalestina na rec\u00e9m criada ONU.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de um lar\nnacional para os judeus, at\u00e9 ent\u00e3o espalhados, nasce ao final do s\u00e9culo 19.\nAp\u00f3s diversos casos de persegui\u00e7\u00f5es, que remontam desde a Idade M\u00e9dia, e dos\nPogroms (nome dado aos violentos ataques contra comunidades judaicas no leste\neuropeu e em outros pa\u00edses) no s\u00e9culo 19, os judeus, por meio do movimento\nSionista, come\u00e7am a retornar \u00e0 terra de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, a\nregi\u00e3o vivia sob o mandato brit\u00e2nico, o qual foi fruto da partilha do Imp\u00e9rio\nOtomano, ap\u00f3s o final da Primeira Guerra Mundial. O territ\u00f3rio de dom\u00ednio\nbrit\u00e2nico abrangia o atual estado de Israel e o atual pa\u00eds Jord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse \u00ednterim,\nocorreu a fat\u00eddica Segunda Guerra Mundial, e os horrores do Holocausto chocaram\na humanidade. O Reino Unido, desgastado pela guerra e sob press\u00e3o dos Estados\nUnidos, come\u00e7ou a fazer planos para se retirar da regi\u00e3o. J\u00e1 havia judeus e\n\u00e1rabes convivendo no territ\u00f3rio, e os conflitos entre eles j\u00e1 eram frequentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A ONU, criada para\nsubstituir a Liga das Na\u00e7\u00f5es, com a devolu\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio da Palestina pelos\nbrit\u00e2nicos, encarregou-se de elaborar, por meio de uma comiss\u00e3o, um plano de\npartilha da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A partilha previa\num territ\u00f3rio judeu, um territ\u00f3rio \u00e1rabe, e Jerusal\u00e9m como uma \u201czona mista\u201d\ncontrolada pela comunidade internacional. A proposta foi aceita pela comunidade\njudaica, mas rejeitada pela Liga \u00c1rabe. Isto deu origem ao conflito que\nresultou, em 14 de maio de 1948, na declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia do Estado de\nIsrael.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, a\nregi\u00e3o j\u00e1 presenciou diversos conflitos. Entre eles se destacam a guerra dos\nSeis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, na qual Israel venceu a S\u00edria, a\nJord\u00e2nia e o Egito; e a guerra do Yom Kippur, que ocorreu de 6 de outubro a 26\nde outubro de 1973.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns grupos\nterroristas nascem nesse meio tempo (como o Hamas e o Fatah, o Hezbollah e a\nJihad isl\u00e2mica). E, entre conflitos menores e diversos acordos de paz e de\ncessar fogo, chegamos aos dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos\nacontecimentos trouxeram \u00e0 tona ao debate p\u00fablico o conflito \u00e1rabe-israelense,\nmais uma vez. As coisas come\u00e7aram a esquentar com o que ficou conhecido como\n\u201cTerror do TikTok\u201d, em que alguns jovens \u00e1rabes gravaram, em seus celulares,\nv\u00eddeos provocando os judeus e postaram-nos em suas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso se espalhou,\ne, em poucos dias, todo o territ\u00f3rio de Israel se tornou palco de incidentes, o\nque revoltou grupos de jovens judeus, iniciando um clima hostil entre ambos.<\/p>\n\n\n\n<p>Semanas depois,\nveio o resultado da longa disputa judicial das casas do bairro \u00e1rabe Sheik\nJarrah, um bairro judaico que foi dado aos palestinos pelos jordanianos durante\na ocupa\u00e7\u00e3o da guerra dos 6 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>A corte israelense\ndeu seu veredito a favor dos herdeiros leg\u00edtimos das casas do bairro. A corte\nalegou que as escrituras de compra dos im\u00f3veis, pelos judeus, eram v\u00e1lidas e\nque os \u00e1rabes poderiam ficar no local desde que pagassem aluguel. Os \u00e1rabes\nocupantes se recusaram a pagar e, ainda por cima, aumentaram as constru\u00e7\u00f5es\nilegalmente. A corte, ent\u00e3o, decidiu pelo despejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dois motivos\nforam suficientes para encorajar o Hamas, grupo terrorista que controla a Faixa\nde Gaza, a incitar \u00e1rabes-israelenses contra o Estado israelense.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o in\u00edcio de uma\nescalada de manifesta\u00e7\u00f5es violentas e de confrontos com a pol\u00edcia israelense,\nem alguns bairros e no Monte no Templo. O \u00e1pice do conflito ocorreu no Dia de\nJerusal\u00e9m, data festiva na qual Israel comemora a unifica\u00e7\u00e3o da cidade sagrada\nsob controle israelense. No fim da tarde, o Hamas lan\u00e7ou foguetes de Gaza\ncontra a capital Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de violentos\nconflitos entre grupos de \u00e1rabes nos bairros mistos, Israel se viu arrastado\npara um conflito ainda maior do que o \u00faltimo, ocorrido em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex\u00e9rcito\nisraelense atacou fortemente alvos terroristas na Faixa de Gaza nesses \u00faltimos\n11 dias como retalia\u00e7\u00e3o aos mais de 4 mil foguetes lan\u00e7ados contra seu\nterrit\u00f3rio \u2013 foguetes que teriam posto um fim \u00e0 vida de milhares de inocentes,\nse n\u00e3o fosse o eficaz sistema de defesa a\u00e9rea antim\u00edsseis, o Iron Dome.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante deixar\nclaro que a guerra n\u00e3o ocorre entre Israel e os palestinos, e sim contra os\ngrupos terroristas Hamas e a Jihad Isl\u00e2mica. S\u00e3o in\u00fameros os casos de\npalestinos que sofrem abusos e, por vezes, s\u00e3o feitos de escudo humano pelo Hamas,\nna Faixa de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima semana,\nentrou em vigor um cessar-fogo mediado pelo Egito, mas o cessar-fogo n\u00e3o \u00e9 um\nacordo de paz. Acredita-se que \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que haja uma outra\nopera\u00e7\u00e3o militar na Faixa de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>As causas dos\nconflitos na regi\u00e3o s\u00e3o mais profundas do que apenas uma quest\u00e3o de demarca\u00e7\u00e3o\nde fronteiras,&nbsp;<strong><em>Israel luta pelo seu direito de existir<\/em><\/strong>;\nafinal, em 2018, o l\u00edder s\u00eanior do Hamas afirmou: a \u201cPalestina \u00e9 do mar\nmediterr\u00e2neo at\u00e9 o rio Jord\u00e3o, e n\u00f3s (o&nbsp;<em>Hamas<\/em>) nunca, nunca, nunca\niremos reconhecer Israel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o h\u00e1 nada mais\ncruel do que a declara\u00e7\u00e3o do m\u00e1rtir Iman Hasan al-Banna, na&nbsp;<em>Carta de\nFunda\u00e7\u00e3o do Hamas<\/em>, onde ele diz: \u201cIsrael existir\u00e1 e continuar\u00e1 existindo\nat\u00e9 que o Isl\u00e3 o fa\u00e7a desaparecer, como fez desaparecer todos aqueles que\nexistiram anteriormente a ele\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 duas declara\u00e7\u00f5es\nbastante atuais da primeira ministra Golda Meir que ajudam a lan\u00e7ar luz no\npapel de Israel nesse conflito. Uma declara\u00e7\u00e3o foi dada no Clube Nacional da\nImprensa, em Washington, em 1957. Ela disse: \u201c<em>A paz vir\u00e1 quando os \u00e1rabes\namarem os seus filhos tanto quanto nos odeiam\u201d.&nbsp;<\/em>E a outra \u00e9 a celebre\ndeclara\u00e7\u00e3o em que ela afirma:&nbsp;<em>\u201cSe os palestinos baixarem as armas,\nhaver\u00e1 paz. Se os israelenses baixarem as armas, n\u00e3o haver\u00e1 mais Israel\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil, nos \u00faltimos governos, infelizmente votava contra Israel na ONU. De forma diversa do que vinha sendo feito, o governo Bolsonaro tem se aproximado de Israel desde 2018, trazendo de novo a amizade e o respeito adquiridos pelos m\u00e9ritos de Oswaldo Aranha no passado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"237\" height=\"240\" src=\"http:\/\/dgospel.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/000000000000000000000000000-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8593\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por <strong><em>Bia Kicis<\/em><\/strong><em>&nbsp;foi procuradora do Distrito Federal durante 24 anos,\nativista e atualmente \u00e9 deputada federal pelo PSL\/DF.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;\u201cS\u00f3 se ouvia, vinda do r\u00e1dio no \u00faltimo volume, a voz profunda e \u00e1spera do locutor americano que eletrizava o ar frio da noite, ou poderia ser a voz do presidente da Assembleia, Oswaldo Aranha, do Brasil. 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