{"id":998,"date":"2018-08-14T17:09:32","date_gmt":"2018-08-14T20:09:32","guid":{"rendered":"http:\/\/dgospel.com.br\/portal\/?p=998"},"modified":"2018-08-14T17:09:32","modified_gmt":"2018-08-14T20:09:32","slug":"61-das-criancas-e-dos-adolescentes-no-brasil-vivem-na-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dgospel.com.br\/portal\/index.php\/2018\/08\/14\/61-das-criancas-e-dos-adolescentes-no-brasil-vivem-na-pobreza\/","title":{"rendered":"61% das crian\u00e7as e dos adolescentes no Brasil vivem na pobreza"},"content":{"rendered":"<p>As an\u00e1lises tradicionais sobre a pobreza costumam levar em conta a renda das pessoas ou de suas fam\u00edlias. Se algu\u00e9m ganha acima de determinado valor por dia ou o suficiente para se alimentar, por exemplo, fica de fora das estat\u00edsticas e n\u00e3o \u00e9 considerado pobre. Mas qu\u00e3o realistas s\u00e3o estudos desse tipo? Uma crian\u00e7a que vive em uma casa onde h\u00e1 dinheiro para alimentos e roupas, mas que n\u00e3o tem acesso a saneamento b\u00e1sico e educa\u00e7\u00e3o, conseguiu escapar da pobreza?<\/p>\n<p>Para o Fundo da Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), a resposta a essa \u00faltima pergunta \u00e9 n\u00e3o. Segundo o \u00f3rg\u00e3o da ONU, a priva\u00e7\u00e3o de direitos \u00e9 uma face determinante da pobreza, e pode estar ou n\u00e3o acompanhada de pobreza monet\u00e1ria. E \u00e9 essa vis\u00e3o que est\u00e1 refletida no estudo Pobreza na Inf\u00e2ncia e na Adolesc\u00eancia, lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (14\/8), em Bras\u00edlia. O levantamento, que leva em considera\u00e7\u00e3o a legisla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) de 2015, tra\u00e7a, de maneira in\u00e9dita, o impacto multidimensional da pobreza nos brasileiros com menos de 18 anos.<\/p>\n<p>Pelos par\u00e2metros utilizados pelo Unicef, 61% das crian\u00e7as e dos adolescentes brasileiros vivem na pobreza, seja porque moram em domic\u00edlios com renda per capta insuficiente para adquirir uma cesta b\u00e1sica de bens, seja porque t\u00eam negado ao menos um dos seguintes direitos b\u00e1sicos: educa\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o, \u00e1gua, saneamento, moradia e prote\u00e7\u00e3o contra o trabalho infantil.<\/p>\n<p>Os dados analisados no estudo indicam que, dos 53,7 milh\u00f5es de meninas e meninos, 18 milh\u00f5es (34%) s\u00e3o afetados pela pobreza monet\u00e1ria \u2014 menos de R$ 346 per capta por m\u00eas na zona urbana ou R$ 269 na zona rural. Desses, 12 milh\u00f5es (23%) t\u00eam, al\u00e9m de renda insuficiente, um ou mais dos seus direitos b\u00e1sicos negados, integral ou parcialmente. Por\u00e9m, avalia o Unicef, outros 14 milh\u00f5es (27%) devem ser incorporados \u00e0s estat\u00edsticas, mesmo n\u00e3o sendo monetariamente pobres, pois n\u00e3o t\u00eam acesso a todos os direitos integralmente.<\/p>\n<p><strong>Saneamento \u00e9 o maior desafio<\/strong><\/p>\n<p>Em defesa do seu crit\u00e9rio, o \u00f3rg\u00e3o da ONU argumenta que essa metodologia permite apontar com mais realismo os desafios a serem superados pelo Brasil. &#8220;Incluir a priva\u00e7\u00e3o de direitos como uma das faces da pobreza n\u00e3o \u00e9 comum nas an\u00e1lises tradicionais sobre o tema, mas \u00e9 essencial para dar destaque a problemas graves que afetam meninas e meninos e colocam em risco seu bem-estar&#8221;, afirma Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apontar que a pobreza de direitos afeta mais meninos e meninas (quase 50%) que a pobreza monet\u00e1ria (34%), o estudo mostra que o Brasil foi mais eficiente em combater o segundo tipo de priva\u00e7\u00e3o que o primeiro na \u00faltima d\u00e9cada. O relat\u00f3rio mostra ainda quais direitos s\u00e3o os mais negados \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes. A falta de acesso a saneamento b\u00e1sico lidera a lista, afetando 13,3 milh\u00f5es de meninos e meninas, seguida do direito integral \u00e0 educa\u00e7\u00e3o (negado a 8,8 milh\u00f5es), \u00e1gua (7,6 milh\u00f5es), informa\u00e7\u00e3o (6,8 milh\u00f5es), moradia (5,9 milh\u00f5es) e prote\u00e7\u00e3o contra o trabalho infantil (2,5 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ainda avaliar quais grupos ou regi\u00f5es s\u00e3o mais vulner\u00e1veis. Moradores da zona rural t\u00eam mais direitos negados que os habitantes das cidades. Crian\u00e7as e adolescentes negros sofrem mais viola\u00e7\u00f5es que os brancos E os moradores das regi\u00f5es Norte e Nordeste sofrem mais que os do Sul e do Sudeste.<\/p>\n<p>Tais recortes, aponta o Unicef, podem tornar a a\u00e7\u00e3o governamental e da sociedade mais eficaz. &#8220;Compreender cada uma dessas dimens\u00f5es \u00e9 essencial para desenhar pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de reverter a pobreza na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia&#8221;, afirma um trecho do estudo, conduzido por Jorge Paz e Carla Ar\u00e9valo, especialistas em economia e demografia do Instituto de Estudos do Trabalho e do Desenvolvimento Econ\u00f4mico (Ielde, na sigla em espanhol), com sede na Argentina.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Correio Braziliense<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As an\u00e1lises tradicionais sobre a pobreza costumam levar em conta a renda das pessoas ou de suas fam\u00edlias. 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