Flávio abre sigilos bancário e telefônico e desafia Lula a revelar gastos do cartão corporativo
O senador Flávio Bolsonaro (PL) encaminhou, nesta sexta-feira (23), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as autorizações para a divulgação dos dados referentes às quebras de seus sigilos bancário e telefônico. A medida ocorre após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregar à Corte, na quinta-feira (22), documentos relacionados aos sigilos do petista, em resposta ao desafio lançado durante o debate presidencial da TV Band.
Além de autorizar a divulgação das próprias informações, Flávio ampliou a cobrança sobre Lula e pediu que o presidente torne públicos os gastos com o cartão corporativo da Presidência da República e os registros de visitas ao gabinete presidencial.
Na petição encaminhada à Justiça Eleitoral, o senador argumentou que a divulgação dessas informações permitiria dar transparência ao uso de recursos públicos e evitar que a discussão sobre os sigilos dos candidatos se limitasse a uma troca de acusações durante a campanha.
“Os gastos do cartão corporativo da Presidência da República são pagos com dinheiro do contribuinte, e auditoria do Tribunal de Contas da União apontou que 99,55% deles foram classificados como sigilosos ou reservados entre janeiro de 2023 e abril de 2025”, afirmou o senador no documento.
Flávio também cobrou a divulgação dos registros de pessoas que visitaram o gabinete presidencial. Segundo ele, essas informações são públicas por natureza e deveriam estar disponíveis para consulta da população.
O parlamentar ainda relembrou a promessa feita por Lula durante a campanha de 2022, quando o petista afirmou que acabaria com o sigilo de cem anos no primeiro dia de governo.
Ao concluir a petição, Flávio defendeu que a divulgação dos gastos e dos registros de visitas ocorra antes do domingo, dia da votação do segundo turno.
A iniciativa ocorre após a campanha de Lula entregar documentos relacionados aos sigilos do presidente e solicitar que o TSE atuasse como árbitro na divulgação das informações.
O vice-presidente do Tribunal, ministro André Mendonça, decidiu que os próprios candidatos podem tornar públicos seus dados, sem necessidade de autorização prévia da Justiça Eleitoral.
Segundo o ministro, os sigilos bancário, fiscal e telefônico são garantias destinadas à proteção de seus titulares, que podem autorizar a divulgação voluntária das informações.
Na decisão, Mendonça ressaltou que não há impedimento legal para que os candidatos divulguem os próprios dados e informações, conforme os compromissos públicos assumidos durante a campanha.
A campanha de Flávio Bolsonaro escalou o ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol para analisar os documentos apresentados por Lula.
Em conversa com jornalistas em frente ao TSE, Dallagnol afirmou que a primeira etapa do trabalho será verificar se toda a documentação prometida pelo presidente foi efetivamente entregue.
“A primeira parte do meu trabalho será analisar a completude dos documentos entregues pelo presidente Lula. Lula foi desafiado e concordou em entregar uma série de documentos que englobam documentos fiscais e bancários seus e de parentes”, declarou.
O ex-procurador também afirmou que pretende examinar os registros para reconstruir informações relacionadas ao histórico financeiro do presidente e de seus familiares.
“Queremos analisar esses documentos para podermos resgatar a história. A história de Lula precisa ser resgatada por meio desses documentos”, acrescentou.
A análise deverá verificar a extensão do material apresentado e se os documentos correspondem ao que foi anunciado durante a campanha.
A disputa em torno da divulgação dos sigilos teve início no domingo (18), durante debate presidencial promovido pela TV Band. Na ocasião, Lula desafiou Flávio a abrir suas contas bancárias e seu sigilo telefônico para que os eleitores pudessem comparar as informações dos dois candidatos.
“Eu desafio você que eu, amanhã… amanhã, abrirmos a nossa conta bancária, abrirmos nosso sigilo telefônico, para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão neste país!”, afirmou o presidente.
O desafio ocorreu durante uma troca de acusações sobre corrupção e questionamentos envolvendo a relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos.

