Esquema do PCC em postos de combustíveis expõe fragilidade e omissão do governo Lula

A operação que desarticulou o esquema do PCC em mais de 300 postos de combustíveis expôs, além da fraude bilionária contra consumidores, a fragilidade do aparato de fiscalização e a omissão do governo federal na área. Com bombas adulteradas, os estabelecimentos lesavam motoristas entregando combustível abaixo do volume pago ou de qualidade inferior, em um sistema que só prosperou pela incapacidade de controle do Estado.

A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), responsável pela fiscalização, é apontada como elo central da falha. Sucateada e sem recursos básicos — a ponto de, segundo relatos, fechar até banheiros por falta de dinheiro para papel higiênico —, a agência deixou escapar brechas que foram ocupadas pelo crime organizado.

O governo Lula (PT), diante do desmonte, pouco fez para reforçar a estrutura da ANP. A omissão abriu espaço para que o esquema se consolidasse, comprometendo a confiança no setor e revelando a vulnerabilidade da máquina estatal diante da infiltração criminosa.

No Congresso, o tema foi ignorado até a deflagração da operação. Parlamentares agora correm para apresentar projetos de lei, em um movimento considerado reativo e tardio. “Evitar o derrame exige política pública, mas o debate foi soterrado pela polarização e pelos interesses em torno de pacotes de impunidade”, afirmou um interlocutor da investigação.

A fragilidade também se estende ao Ministério da Justiça, que não conseguiu apresentar um plano nacional de segurança pública. Sem consenso com os estados, o governo recuou, deixando a articulação fragmentada.

O caso evidencia como a falta de prioridade política e a omissão administrativa abriram caminho para a infiltração do crime organizado em setores estratégicos. Sem investimentos consistentes em fiscalização e uma coordenação nacional clara, novas brechas continuarão a ser exploradas — com prejuízo direto para a população.

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