Transparência Internacional acusa Lula de “falha grave” em escândalo bilionário do INSS e expõe blindagem política

O relatório Retrospectiva Brasil 2025, divulgado nesta terça-feira (10) pela Transparência Internacional, faz uma acusação direta ao governo Luiz Inácio Lula da Silvao Planalto falhou gravemente ao lidar com o maior esquema de corrupção previdenciária já identificado no país. No mesmo dia, a ONG manteve o Brasil na 107ª posição do ranking mundial de corrupção — o pior resultado histórico.

Segundo o documento, a resposta do governo foi lenta, insuficiente e politicamente orientada, apesar da magnitude do rombo causado por descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social.

A Transparência Internacional cita como exemplo simbólico da inação a substituição do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, por Wolney Queiroz, que já era secretário-executivo da pasta. Para a ONG, a troca não representou ruptura, mas continuidade — uma solução política para um problema estrutural.

As críticas ganham peso diante do escândalo revelado pela Polícia Federal em abril de 2025, com a Operação Sem Desconto. A investigação desvendou um esquema nacional que operava com propina a servidoresassinaturas falsas e associações de fachada controladas por laranjas.

Essas entidades cadastravam beneficiários sem autorização e passavam a descontar valores diretamente na folha. Houve casos de um mesmo aposentado filiado a múltiplas associações no mesmo dia. PF e Controladoria-Geral da União estimam que os desvios entre 2019 e 2024 podem chegar a R$ 6,3 bilhões.

O relatório aponta um fator decisivo para a expansão da fraude: a liberação de descontos em lote pelo próprio INSSsem autorização individual dos beneficiários. Para a Transparência, isso evidencia falhas graves de controle, coordenação e resposta do governo diante do que classifica como “o maior esquema de corrupção previdenciária da história brasileira”.

No centro das apurações aparece Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Investigadores apontam que ele teria movimentado R$ 24,5 milhões em apenas cinco meses, com repasses destinados a propina para servidores graduados. Em uma transação, R$ 7,5 milhões teriam sido enviados a empresas ligadas à esposa de um ex-procurador do instituto.

O nome de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) surge em trechos da investigação como figura próxima de Careca. Reportagem do Metrópoles revelou que uma mansão alugada por Roberta Luchsinger, sócia de Careca, passou a ser usada com frequência por Lulinha. Há ainda registros de transferência de R$ 1,5 milhão a Luchsinger com menção ao “filho do rapaz”, além de viagem conjunta a Portugal em novembro de 2024 e mesadas de até R$ 300 mil. Apesar das citações, Lulinha não é alvo formal da operação.

O presidente da CPMI do INSSCarlos Viana, afirmou que Careca buscou influência política via o filho do presidente, inclusive para ampliar contratos com o governo federal, como o fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde.

CPMI enfrentou resistência sistemática ao tentar avançar sobre nomes do entorno presidencial. Requerimentos para convocar Lulinha e Frei Chico, irmão de Lula, foram rejeitados, apesar de citados na investigação. Parlamentares da oposição acusam a base governista de blindagem deliberada para conter as apurações.

É uma vergonha que parlamentares sigam cegamente a ordem de blindagem”, afirmou o relator Alfredo Gaspar. Ele defende prorrogação dos trabalhos, hoje previstos para encerrar em 28 de março, diante da complexidade e do alcance do caso.

336x280ad