Governo Lula fecha mais de 2,8 mil leitos de psiquiatria, obstetrícia e pediatria do SUS

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou o fechamento de mais de 2.800 leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) nas áreas de psiquiatria, obstetrícia e pediatria entre 2023 e 2025, segundo levantamento com base em dados oficiais.

No período, foram desativados 1.885 leitos psiquiátricos, 679 obstétricos e 302 pediátricos. As informações constam em estudo do Farol da Oposição, ligado ao Instituto Teotônio Vilela, elaborado a partir de dados públicos do Datasus e do IBGE. Os números foram conferidos pelo Poder360 nas mesmas bases.

Além do fechamento líquido de vagas, o levantamento indica desaceleração relevante na criação de novos leitos. Entre 2023 e 2025, foram abertos 7.050 leitos, volume inferior aos 10.163 registrados entre 2019 e 2021 — retração de 30,6% na comparação entre os períodos.

O desempenho mais fraco aparece na oferta de leitos clínicos. Foram criadas 627 unidades nessa especialidade, número significativamente inferior ao observado no início da gestão anterior, quando a expansão chegou a 20.278.

Na prática, o cenário combina redução de capacidade assistencial em áreas sensíveis com menor ritmo de expansão da rede hospitalar. Saúde mental, maternidade e atendimento infantil — segmentos historicamente pressionados — aparecem entre os mais afetados.

Os dados reforçam críticas sobre a prioridade dada à estrutura hospitalar no atual governo, sobretudo diante do aumento da demanda por atendimento especializado e da persistência de filas no SUS.

Até o momento, não há explicação detalhada do governo federal para o fechamento dos leitos nem apresentação de uma estratégia clara de compensação estrutural. Também não foi divulgado balanço consolidado que demonstre substituição por serviços equivalentes, ampliação da rede ou reorganização capaz de neutralizar a perda de capacidade.

Sem essa transparência, especialistas apontam que o fechamento de leitos, combinado à expansão mais lenta, tende a pressionar ainda mais o sistema público e ampliar gargalos assistenciais já existentes.

336x280ad