Mendonça tem melhor avaliação no STF; Toffoli é o mais rejeitado
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Andre Mendonça, figura como o magistrado mais bem avaliado pela população, em relação à Corte. A informação consta na pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada nesta sexta-feira (20).
O levantamento aponta que a maior parte dos atuais dez magistrados é avaliada negativamente pela população.
Mendonça é o único que tem avaliação positiva maior que a negativa entre todos os integrantes da Corte. Segundo o levantamento, o ministro tem 43% de menções favoráveis, enquanto 36% pensam o contrário sobre ele. Outros 20% dizem não saber avaliá-lo.
Para Wallace Corbo, professor de direito constitucional da Fundação Getulio Vargas (FGV), avaliação positiva de Mendonça pode estar relacionada ao seu perfil discreto.
O ministro Dias Toffoli se encontra no extremo oposto de Mendonça. A imagem dele é apontada como negativa por 81% dos entrevistados ante 9% que dizem avaliá-lo positivamente. No levantamento anterior realizado pelo instituto, em agosto de 2025, Toffoli era rejeitado por 50% e aprovado por 30%.
O crescimento de 31 pontos percentuais na avaliação negativa do ministro compreende o período em que ele assumiu a relatoria do inquérito do Banco Master. Toffoli passou a ter a atuação questionada após marcar uma acareação antes dos depoimentos e restringir a perícia de provas, afetando o trabalho da Polícia Federal (PF).
Ao mesmo tempo, o ministro teve expostas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro e seu entorno. Toffoli viajou em um jato particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore para Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores da América. No mesmo voo, estava o advogado Augusto Arruda Botelho, representante do ex-diretor de Compliance do Master, Luiz Antonio Bull.
OUTROS MAGISTRADOS
O ministro Alexandre de Moraes também viu seus índices piorarem no levantamento, mas não em níveis semelhantes aos de Toffoli. A avaliação negativa do ministro passou de 51% para 59% de agosto de 2025 até agora, enquanto a percepção positiva da população sobre ele caiu de 49% para 37%.
Moraes também é citado no caso Master. O ministro manteve conversas com Vorcaro, inclusive há registro de mensagens trocadas entre os dois, no celular do banqueiro, no dia em que o dono do Master foi preso pela primeira vez, em novembro, de acordo com a PF. Além disso, o escritório da mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco.
De acordo com Wallace Corbo, professor da FGV, Moraes pode ter resistido melhor ao desgaste do Master por ser o responsável por processos que tratam da “institucionalidade democrática”.
O ministro Kassio Nunes Marques é o que menos desperta reações nos entrevistados: 35% das pessoas ouvidas afirmam não ter opinião sobre ele. A avaliação negativa é maior do que a positiva, 43% a 22%.
Depois de Toffoli, o ministro Gilmar Mendes foi o que registrou maior crescimento da avaliação negativa: 11 pontos percentuais. Passou de 56% para 67% de agosto para agora. Já a avaliação positiva caiu, de 29% para 20% no mesmo período.
O ministro Luiz Fux, assim como Mendonça, teve uma melhora na avaliação positiva, de 31%, em agosto, para 39% agora. Em setembro, o magistrado foi contra a maioria da Primeira Turma da Corte e votou para absolver o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na trama golpista. Ele manteve o índice exato de avaliação negativa (46%).
A ministra Cármen Lúcia viu aumentar o porcentual negativo de menções, de 49% a 54%, e cair o positivo, de 46% para 39%. O mesmo ocorreu com o ministro Flávio Dino. No período, a avaliação positiva passou de 46% para 40% e a negativa subiu de 50% para 58%.
A situação se repete com o ministro Cristiano Zanin. O magistrado tinha 48% de avaliações negativas e agora tem 55%. A avaliação positiva passou de 41% para 32%.
Em meio à crise que desgasta a imagem do tribunal, o ministro Edson Fachin, que preside a Corte, encampou a pauta da ética com a defesa de um código de conduta para os magistrados de tribunais superiores. Mesmo assim, viu sua avaliação positiva cair de 32% para 27% e a negativa aumentar de 48% para 53% de agosto até agora.
Ainda com 20% de pessoas que não sabem opinar sobre ele, Fachin aumentou a exposição pública no período, concedendo mais entrevistas e fazendo pronunciamentos em defesa das bandeiras da gestão, o que pode impactar a mudança na sua avaliação, segundo os especialistas.
A AtlasIntel ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 março. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais e a confiança é de 95%. As informações são do Estadão.

