Rombo de R$ 30 bilhões em fevereiro expõe fragilidade fiscal do governo Lula

O governo central — formado por Tesouro Nacional, Banco Central do Brasil e Previdência — registrou um déficit primário de R$ 30 bilhões apenas em fevereiro de 2026, segundo o Relatório do Tesouro Nacional.

O número, por si só, dimensiona o problema: trata-se de um rombo bilionário concentrado em apenas um mês, equivalente a um ritmo anualizado que ultrapassa facilmente a casa das centenas de bilhões de reais caso mantido.

Embora ligeiramente inferior ao déficit de R$ 31,6 bilhões registrado em fevereiro de 2025, o resultado não indica melhora estrutural — apenas uma oscilação marginal dentro de um quadro fiscal ainda pressionado.

No acumulado de 12 meses, o déficit já soma R$ 60,4 bilhões (0,45% do PIB), enquanto, no primeiro bimestre de 2026, o rombo chegou a R$ 56,8 bilhões — acima dos R$ 53,5 bilhões no mesmo período do ano passado. Ou seja, o desequilíbrio não apenas persiste, como cresce no início do ano.

O dado mais relevante está na dinâmica das contas: mesmo com aumento real da arrecadação de R$ 13,8 bilhões (+3,1%), o governo ampliou despesas quase no mesmo ritmo, com alta de R$ 12,3 bilhões (+3,1%). Na prática, o ganho de receita é neutralizado pelo avanço dos gastos.

Esse padrão revela um problema clássico de política fiscal: o Estado arrecada mais, mas não reduz o ritmo de expansão das despesas, impedindo qualquer ajuste efetivo do déficit.

O resultado reforça a pressão sobre a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente diante de um cenário marcado por aumento de tributos e dificuldade de contenção do gasto público. Sem um corte consistente nas despesas, o déficit tende a permanecer elevado — transferindo o custo do ajuste para a sociedade por meio de mais impostos ou maior endividamento.

O rombo de R$ 30 bilhões em fevereiro não é um ponto fora da curva. É, na prática, um retrato concentrado de um desequilíbrio fiscal que segue sem solução clara no horizonte.

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