Queda de popularidade, recuos e pacotes emergenciais expõem desespero eleitoral de Lula

O governo Luiz Inácio Lula da Silva entrou oficialmente em modo de sobrevivência política. A sequência de recuos, anúncios de impacto popular e mudanças repentinas de postura adotadas pelo Palácio do Planalto nas últimas semanas evidencia um cenário de crescente preocupação eleitoral dentro do PT diante do avanço da rejeição ao presidente e da deterioração da percepção econômica do país.

A revogação da chamada “taxa das blusinhas” se tornou o símbolo mais claro desse movimento. Após defender a taxação sobre compras internacionais de até US$ 50 como mecanismo de proteção à indústria nacional, o governo voltou atrás justamente depois de pesquisas apontarem forte desgaste popular da medida. O recuo ocorreu acompanhado de uma narrativa emergencial para tentar recuperar apoio entre consumidores de baixa renda e jovens, públicos que passaram a demonstrar frustração crescente com o aumento do custo de vida e a percepção de excesso de impostos.

Nos bastidores de Brasília, aliados admitem que o Planalto entrou em alerta máximo diante da sucessão de pesquisas que mostram perda de força eleitoral do presidente. Levantamentos recentes apontam avanço da direita em regiões estratégicas, crescimento da rejeição ao governo e dificuldade cada vez maior de Lula em manter o capital político que sustentou sua vitória em 2022.

A preocupação aumentou especialmente após pesquisas mostrarem empate técnico ou até desvantagem do petista em cenários de segundo turno contra nomes ligados ao bolsonarismo. O desgaste também passou a atingir áreas que o governo considerava fortalezas eleitorais, como economia popular e programas sociais.

A reação do Planalto foi acelerar uma série de medidas com forte apelo eleitoral. Entre elas estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, propostas de renegociação de dívidas, pressão pelo fim da escala 6×1, expansão de programas sociais e agora o recuo em impostos que afetavam diretamente o consumo popular.

A estratégia, porém, tem sido vista por críticos como uma tentativa desesperada de reconstruir popularidade sem enfrentar os problemas estruturais da economia. Enquanto o governo anuncia benefícios e programas de impacto imediato, persistem preocupações com inflação de alimentos, aumento do endividamento das famílias, crescimento dos gastos públicos e perda de confiança do mercado.

Outro fator que ampliou a tensão dentro do governo foi o desgaste institucional envolvendo o STF, censura nas redes sociais e investigações políticas. Pesquisas recentes indicam crescimento da insatisfação popular com decisões da Suprema Corte e aumento da percepção de que há desequilíbrio entre os Poderes. O tema passou a alimentar diretamente o discurso da oposição e fortalecer candidatos alinhados ao eleitorado conservador.

Além disso, o governo enfrenta dificuldades crescentes no Congresso. A relação com líderes do Centrão se tornou mais instável, e episódios recentes envolvendo indicações para tribunais superiores, disputas internas e pressão por cargos ampliaram a sensação de fragilidade política do Planalto.

A tentativa de transformar a COP 30 e a agenda ambiental em vitrine internacional também começou a produzir efeito contrário após denúncias de irregularidades em obras e críticas sobre a distância entre o discurso climático de Lula e os problemas reais enfrentados pela população brasileira.

No campo eleitoral, o cenário preocupa ainda mais o PT porque parte do desgaste ocorre entre eleitores moderados e independentes — justamente o segmento decisivo para uma eventual reeleição. A percepção crescente de improviso, aumento de impostos seguido de recuos estratégicos e anúncios considerados eleitoreiros passou a alimentar dúvidas sobre a estabilidade e a direção econômica do governo.

Dentro do próprio partido, dirigentes já discutem estratégias para conter o avanço da rejeição presidencial e impedir que a eleição de 2026 se transforme em um plebiscito sobre desgaste econômico, insegurança pública e perda de confiança institucional.

O problema para Lula é que, desta vez, a narrativa internacional positiva e os discursos em eventos globais parecem não produzir o mesmo efeito dentro do Brasil. Enquanto o presidente tenta se vender no exterior como liderança global, cresce internamente a percepção de um governo acuado, reativo e cada vez mais pressionado pelo calendário eleitoral.

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