Empresa representada por amiga de Lulinha soma mais de r$ 81 milhões em contratos com o governo federal

A 3Structure, empresa de tecnologia representada pela lobista Roberta Luchsinger em tratativas com o poder público, acumulou mais de R$ 81 milhões em contratos e aditivos com órgãos federais, segundo levantamento publicado pelo Estadão. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e sua atuação está sob investigação da Polícia Federal.

A companhia, sediada em Florianópolis e comandada pelo empresário Cleber Ribas, aparece em seis contratos considerados no levantamento. Cinco foram assinados a partir de 2023, durante o atual governo Lula. O outro foi celebrado com o Exército em novembro de 2022, por R$ 21,8 milhões, antes da posse do petista. Posteriormente, esse contrato recebeu um aditivo de R$ 3,6 milhões.

Os maiores valores estão concentrados no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. A pasta contratou a 3Structure em dezembro de 2023 por R$ 31,2 milhões e acrescentou um aditivo de R$ 2,7 milhões em novembro de 2025. Em abril deste ano, foi firmado outro negócio, de R$ 19,2 milhões. Segundo o levantamento, os valores previstos nos contratos da empresa com o ministério chegam a R$ 53,1 milhões até 2031.

A 3Structure também possui contratos com a Funasa e o Instituto Nacional de Educação de Surdos. Há ainda um acordo de cinco anos com a Telebras, firmado em 2024 para serviços de armazenamento e gerenciamento de dados em nuvem e com vigência até outubro de 2029. O valor global desse contrato não foi divulgado, o que significa que o volume total de negócios federais da empresa supera os R$ 81 milhões identificados no levantamento.

A relação de Roberta com o proprietário da empresa entrou no radar da Polícia Federal. Segundo as investigações, Cleber Ribas contratou a lobista para intermediar seus interesses junto a órgãos públicos. A PF identificou ao menos R$ 2,5 milhões em repasses de Ribas a Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Documentos analisados pelos investigadores também mencionam um contrato de “taxa de sucesso” relacionado à apresentação de partes para a realização de negócios.

A investigação avançou sobre a possível participação de Lulinha nessas relações. A PF apura a suspeita de que Roberta atuasse em sociedade oculta com o filho do presidente. Em mensagens analisadas pelos investigadores, Lulinha também aparece orientando a lobista sobre a emissão de uma nota fiscal para cobrança de Cleber Ribas. O empresário sustenta que a operação foi legítima, contabilizada e tributada e que a contratação da consultoria não tinha relação com os contratos públicos da 3Structure.

Em outra frente revelada nesta quarta-feira (23), a investigação identificou mensagens relacionadas a pagamentos que teriam sido feitos por Roberta a servidores do Ministério do Desenvolvimento Social. Registros da pasta mostram que a lobista realizou pelo menos 17 visitas ao ministério entre janeiro de 2023 e maio de 2024. A defesa de Roberta afirmou desconhecer as conversas divulgadas e criticou o vazamento de material de investigação sigilosa.

A defesa de Lulinha afirma que ele não possui relação com os fatos investigados e questiona a autenticidade das mensagens atribuídas aos envolvidos. “Não é possível confirmar a autenticidade das mensagens e não nos cabe comentar sobre depósitos que não foram feitos pelo Fábio”, declarou o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

A 3Structure também nega qualquer favorecimento. Em nota, afirmou que venceu as licitações em cumprimento às regras das contratações públicas e que os negócios passaram por análises técnicas e instâncias de controle. A empresa afirma desconhecer eventuais pagamentos feitos por Roberta a servidores.

336x280ad