Mendonça se irrita com troca de delegado na investigação do INSS sem aviso

O ministro do STF André Mendonça reagiu com irritação nesta sexta-feira, 15 de maio, ao ser informado — sem consulta prévia — de que a Polícia Federal havia trocado o delegado responsável pela investigação das fraudes no INSS. O estopim foi a substituição de Guilherme Figueiredo Silva, que comandava as apurações e havia sido o responsável pelas principais medidas do inquérito, incluindo a quebra dos sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.

Mendonça soube da mudança apenas na manhã desta sexta, em reunião convocada em seu gabinete com a equipe da Polícia Federal. O ministro não foi avisado com antecedência pelo diretor-geral da PF. No encontro, cobrou explicações sobre a substituição e declarou que vai acompanhar de perto as investigações para que não haja atraso nem seletividade no material apreendido. Pediu ainda que a equipe apresente os resultados das buscas já realizadas e a análise do material correspondente. A Polícia Federal não se manifestou quando procurada.

Quem era o delegado trocado e o que ele havia feito

Guilherme Figueiredo Silva assumiu a chefia da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF em julho de 2025 e conduziu as investigações mais sensíveis do inquérito do INSS desde então. Foi dele o pedido de prisão do “Careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes. Foi dele o pedido de busca e apreensão contra a empresária Roberta Luchsinger e contra o senador governista Weverton Rocha (PDT-MA). E foi dele o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha — autorizada pelo ministro André Mendonça em janeiro deste ano.

A decisão da PF foi transferir o inquérito da Coordenação de Repressão a Crimes Fazendários para a Coordenação de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro. Toda a equipe que conduzia a investigação migrou de uma coordenação para a outra — exceto Guilherme, que ficou para trás. O delegado que pediu a quebra dos sigilos de Lulinha foi o único que não foi junto.

O que está em jogo

A investigação das fraudes no INSS é politicamente a mais sensível que tramita no STF neste momento. Lulinha está entre os investigados. Os pesquisadores tentam entender sua relação com o Careca do INSS por meio de Roberta Luchsinger, que teria funcionado como intermediária entre o filho do presidente e o operador do esquema bilionário de desvio de aposentadorias. Um ex-funcionário do Careca afirmou em depoimento à PF que Antunes pagava uma mesada de R$ 300 mil mensais ao filho do presidente.

A troca do delegado responsável pelas principais medidas do inquérito, feita sem avisar o ministro relator, num caso em que o investigado mais politicamente relevante é o filho do presidente, a menos de cinco meses das eleições, não passou pelo crivo de Mendonça antes de acontecer. O ministro foi informado depois — e deixou claro que não ficou satisfeito com isso.

A Polícia Federal não explicou publicamente os motivos da mudança. Mendonça pediu explicações. O inquérito continua. E Lulinha continua investigado — pelo menos por enquanto.

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