Assassinatos de indígenas disparam 22,3% e chegam a 258 em 2025, aponta Cimi
O Brasil registrou 258 assassinatos de indígenas em 2025, segundo o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O número representa um aumento de 22,3% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 211 mortes, e é o maior patamar dos últimos quatro anos.
Segundo o levantamento, a escalada dos homicídios está inserida em um cenário mais amplo de violência contra os povos indígenas. O Cimi relaciona parte significativa das mortes a conflitos territoriais e à demora do Estado brasileiro na conclusão de processos de demarcação de Terras Indígenas.
O relatório também chama atenção para a brutalidade de parte dos crimes. A entidade registrou casos de decapitações, mutilações, agressões físicas extremas e estupros.
As vítimas eram majoritariamente homens e, em grande parte, jovens. Mais de um em cada quatro indígenas assassinados, 27,1%, tinha menos de 20 anos.
Três estados concentram quase dois terços das mortes
Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul aparecem, pelo terceiro ano consecutivo, entre os estados com maior número de assassinatos de indígenas.
Juntos, os três concentraram 65,5% de todos os casos registrados em 2025, segundo o Cimi.
A concentração reforça, na avaliação da entidade, a relação entre violência, disputas territoriais e vulnerabilidade de comunidades localizadas em regiões onde conflitos fundiários permanecem sem solução.
Dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação
Os números oficiais de mortalidade utilizados no relatório foram obtidos pelo Cimi por meio da Lei de Acesso à Informação, com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, de secretarias estaduais e da Secretaria Especial de Saúde Indígena.
O próprio relatório ressalva, contudo, que os registros de saúde pública não identificam necessariamente o povo, o território ou a comunidade de origem de cada vítima, o que limita uma análise mais detalhada de parte dos casos.
O aumento dos assassinatos acompanha uma piora geral dos indicadores reunidos pelo Cimi. As três grandes categorias de violência sistematizadas pela entidade registraram crescimento em 2025: violência contra a pessoa, violência por omissão do poder público e violência contra o patrimônio indígena.
O cenário descrito pelo relatório mostra que a alta de 22,3% nos assassinatos não aparece de forma isolada. Para o Cimi, ela integra uma deterioração mais ampla das condições de segurança e proteção dos povos indígenas no país.

