BC aponta que dívida das famílias chega a 50,1% da renda anual
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro atingiu 50,1% da renda anual em agosto, uma alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. O indicador, que inclui financiamentos imobiliários, alcançou o maior patamar da série histórica do Banco Central (BC), segundo dados divulgados pela autarquia nesta quinta-feira (29).
Na prática, o volume das dívidas acumuladas pelas famílias equivale a pouco mais da metade de tudo o que elas recebem ao longo de um ano. O cálculo considera compromissos financeiros com bancos, como empréstimos pessoais, crédito consignado e dívidas relacionadas ao cartão de crédito. Quando os financiamentos imobiliários são excluídos, o índice fica em 31% da renda anual.
A inadimplência das pessoas físicas também atingiu um novo recorde. Em agosto, 8,1% dos consumidores estavam com pagamentos atrasados há mais de 90 dias, conforme o levantamento do BC. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas passou de 28,8% para 29%, o maior nível desde o início da série histórica, em março de 2011.
O endividamento havia recuado no início do atual governo e chegou a 47,7% da renda anual em dezembro de 2023. Naquele ano, em julho, foi lançado o programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas. A iniciativa funcionou até maio de 2024, mas a trajetória de queda do indicador não se manteve.
A retomada da alta ocorreu em meio ao ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, iniciado em setembro de 2024. O aumento dos juros encarece empréstimos e financiamentos e amplia a pressão sobre o orçamento doméstico. A taxa chegou a 15% ao ano e atualmente está em 13,75%.

